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domingo, 25 de novembro de 2012

Maria da Penha - Tião Simpatia (DVD Mulher de Lei)

sábado, 27 de outubro de 2012

Mulher

MULHER

Diante de tanta futilidade e preconceitos e de tantas mulheres cujas atitudes só reforçam o preconceito que se tem contra elas, digo aqui qual, ao meu ver, é a verdadeira mulher, a mulher sábia, que merece todo o respeito e admiraçã
o de qualquer ser humano.
A mulher que mantém sua vaidade, mas não se deixa dominar por ela.
A mulher que mantém a doçura, sabendo que essa não é contraditória a ter muita força.
A mulher que arrisca, que tem coragem de enfrentar o mundo, enfrentar o medo, mas que o faz com toda a cautela quando for preciso.
A mulher que usa o coração e a razão, mas sabe quando é necessário deixar o coração falar mais alto.
A mulher que fala o que pensa, mas que também sabe ouvir e respeita.
A mulher multifuncional, que sabe assumir bravamente e com elegâncias todas as facetas da sua vida, mas que procura algum companheiro ou companheira que assuma com ela ou que traga novas facetas consigo, para que sigam juntos, e não para que a sobrecarregue ainda mais.
A mulher que se assume, que se acha linda, que sabe usar sua sensualidade, sem confundir com vulgaridade. Que sabe diferenciar o belo e sensual do vulgar e comum.
A mulher que não tem medo da idade, das rugas, pois compreende que tempo é sabedoria.
A mulher que sabe que inteligência é diferente de sabedoria e por mais inteligente que seja, está sempre atrás da sabedoria.
Mulheres assim, talvez sejam raras, ou talvez seja apenas uma questão de descobrir-s, assumir-se. Muitos homens não querem uma mulher assim ao seu lado, ou tem medo de mulheres assim. Digo que aqueles que não as querem, mais do que não querer, não as merecem. Uma mulher assim precisa ser merecida, conquistada. Uma mulher assim, não é o tipo que "se pega". É o tipo que se doa para quem a merece.
Para todas essas mulheres lindas e os homens ou mulheres que as conquistaram, um bom final de semana.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Parto Natural X Parto Normal

Parto Natural X Parto Normal
13 de março de 2012 por Equipe Übersite
Categoria(s): Destaques, O parto pelo mundo, Sentido da Vida
http://blog.giselebundchen.com.br/sentido/parto-natural-x-parto-normal/

Qual será a diferença entre Parto Natural e Parto Normal?

Mesmo o bebê saindo pelo mesmo lugar, a forma como acontece, o caminho, é muito diferente. E o caminho é fundamental para a vivência plena desse momento tão especial.

O parto deixou de ser visto como um processo natural na vida das mulheres e um rito de passagem para a maternidade, tornando-se um procedimento médico de alta complexidade. Como se as mulheres não fossem capazes de dar à luz sem a ajuda da tecnologia.

O parto normal parece parto anormal algumas vezes. Muitos dos riscos do parto vaginal são em decorrência de intervenções desnecessárias e de um parto mal conduzido. A mulher e seu bebê são colocados em segundo plano. Quem assiste  ao bebê e quem tem conhecimento é o profissional.

Apesar da Organização Mundial de Saúde ter recomendações para o parto normal saudável, a mulher e seu bebê estão sujeitos às rotinas da maternidade e dos profissionais, que podem variar de um lugar para o outro.

Algumas rotinas e intervenções comuns são lavagem intestinal, raspagem dos pêlos pubianos, retirar sua roupa, não ter liberdade de movimento, não poder ingerir comida ou bebida, soro para acelerar as contrações, não poder escolher a posição para ter seu bebê, analgesia, inúmeros exames vaginais, rompimento da bolsa, ter que ficar deitada com as pernas para cima, alguém falando para fazer força,  alguém empurrando a barriga da mulher, corte no períneo (episiotomia), corte precoce do cordão umbilical, bebê separado da mãe para fazer os exames e tomar banho.

Muitas mulheres têm a imagem desse parto cercado de intervenções e traumatizante, tanto para elas quanto para os bebês. Muitas optam por cesariana por esse medo. Mas a verdade é que pode ser diferente. Pode ser a experiência mais poderosa na vida de uma mulher.

Elas não perderam a capacidade de parir, o corpo continua funcionando da mesma forma de sempre. E as necessidades básicas da mulher durante o parto continuam as mesmas: ela precisa sentir-se segura, ter privacidade e não sentir-se observada – (leia mais O Hormônio do amor).

O parto natural é o parto sem intervenções que respeita as necessidades básicas e a integridade da mulher. Além de ser mais eficiente e seguro, também carrega os hormônios do amor e êxtase que permitem a vivência da plenitude do parto.

No parto natural o trabalho de parto inicia quando o bebê está pronto para nascer. As ondas (contração) vêm no ritmo que tem que acontecer para cada mãe e bebê. A mulher instintivamente se movimenta, muda de posições, respira da forma que ela se sente mais confortável. Durante o parto, a mulher pode escolher como ela se sente mais confortável para ter seu bebê. Geralmente são posições verticais (cócoras, em pé) ou de quatro, na água. O bebê nasce e vem direto para seu colo. O corte no cordão umbilical é realizado depois que ele para de pulsar. O contato entre mãe e bebê é a coisa mais importante que existe nesse momento. Mãe e bebê precisam um do outro.

As mulheres sabem dar à luz, e os bebês sabem como nascer.  Como uma flor desabrochando, simplesmente acontece maravilhosamente!

Para mulher o parto é seu rito de passagem para a maternidade e o para o bebê o rito de passagem para vida. Um dia que vai ser lembrado para sempre e comemorado todos os anos!

domingo, 27 de novembro de 2011

Mulheres "im"perfeitas

Recebi este texto pela segunda vez, atribuído à Martha Medeiros. Quem lê Martha sabe que o texto é a cara dela mesmo, e eu adoro ler Martha Medeiros. Mas não achei nenhuma referência que diga que não é dela, nem nada que diga certo que é. De qualquer forma é muito bom. E como foi a segunda vez que recebi, resolvi colocar no blog ao invés de repassar. Aí vai:

'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

Primeiro: a dizer NÃO.

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros...

Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora.

Você é, humildemente, uma mulher.

E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

Tempo para fazer nada.

Tempo para fazer tudo.

Tempo para dançar sozinha na sala.

Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

Tempo para sumir dois dias com seu amor.

Três dias..

Cinco dias!

Tempo para uma massagem...

Tempo para ver a novela.

Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

Tempo para fazer um trabalho voluntário.

Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.

Tempo para conhecer outras pessoas.

Voltar a estudar.

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.

Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.

Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'

Martha Medeiros - Jornalista e escritora

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

3 Mulheres recebem o NOBEL DA PAZ

Duas africanas no trio de vencedoras do Prémio Nobel da Paz de 2011
Fonte: http://www.unmultimedia.org/radio/portuguese/2011/10/duas-africanas-no-trio-de-vencedoras-do-premio-nobel-da-paz-de-2011/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
Presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf e a sua compatriota e activista Leymah Gbowee dividem galardão com a iemenita Tawakul Karman; Secretário-Geral da ONU congratula a escolha.

Ellen Johnson Sirleaf
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque.*
A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf e a activista da paz também liberiana, Leymah Gbowee, foram anunciadas esta sexta-feira como vencedoras do Prémio Nobel da Paz de 2011.
Elas partilham o prémio com a líder do movimento pró-democracia no Iémen, Tawakul Karman.
Construção da Paz
De acordo com a Comissão do Nobe l as três figuras foram agraciadas “pela sua luta de forma pacífica, pelo direito das mulheres e a plena participação feminina na construção da paz.”
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon considerou o Nobel da Paz deste ano uma inspiração para todas as mulheres do mundo.
Justiça e Democracia
Ban afirmou que a concessão do Nobel às três mulheres é uma “notícia maravilhosa”. Segundo ele, não poderia haver melhor escolha. Ele lembrou ter ouvido a voz de mulheres a pedir justiça e democracia no Médio Oriente, no Norte da África e outras regiões.
Considerando o prémio uma prova do poder das mulheres em posição de liderança, Ban reafirmou ainda seu compromisso pessoal de priorizar a promoção dos direitos da mulher no seu segundo mandato à frente das Nações Unidas.
Momentos Críticos
As três vencedoras deste ano são conhecidas pela liderança em momentos críticos. Ellen Johnson Sirleaf foi eleita a primeira presidente da Libéria, em 2005, após 14 anos de uma guerra civil que matou 250 mil pessoas no país da África Ocidental.
A compatriota, Leymah Gbowee, conseguiu unir mulheres cristãs e islâmicas para orarem juntas pela paz.
A activista iemenita, Tawakul Karman, fundou um movimento de não-violência pela saída do poder do presidente do Iémen, Ali Abdullah Saleh, como parte da primavera árabe.
*Apresentação: Eleutério Guevane.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DESPENALIZAR EL ABORTO ES URGENTE PARA EL CONTINENTE

DESPENALIZAR EL ABORTO ES URGENTE PARA EL CONTINENTE
Fonte: http://www.amnistia.cl/web/ent%C3%A9rate/despenalizar-el-aborto-es-urgente-para-el-continente
Miércoles 28 de September de 2011 Home > Despenalizar el aborto es urgente para el continente
Despenalización de aborto

El día de hoy, Día por la Despenalización del Aborto en América Latina y el Caribe, los gobiernos del continente deben promover con urgencia planes concretos que aseguren el acceso a los derechos sexuales y reproductivos de las mujeres y niñas.

Amnistía Internacional se une a la campaña regional por la despenalización del aborto en América Latina y el Caribe bajo el lema, “Educación sexual para decidir, anticonceptivos para no abortar y aborto legal para no morir”. Restringir el acceso a los derechos sexuales y reproductivos pone en grave peligro los derechos humanos de mujeres y niñas.

Es vergonzoso que en una región donde la gran mayoría de países son Estados parte de la Convención de Belem do Pará (Convención Interamericana para Prevenir, Sancionar y Erradicar la Violencia contra la Mujer), cuando una mujer o niña queda embarazada a consecuencia de una violación el Estado la obligue a continuar con el embarazo. Forzar a una mujer o niña violada a continuar con un embarazo, es cruel, inhumano y degradante.

Algunas mujeres y niñas, antes de enfrentarse a ser obligadas a seguir con un embarazo, intentan suicidarse. En ocasiones toman otras medidas desesperadas e intentan practicarse un aborto a sí mismas. Es así como cientos de abortos ilegales e inseguros ocurren cada día, y mujeres y niñas sufren serias consecuencias, que incluso llegan a significar la pérdida de su vida.

En la región más desigual del mundo, estas medidas desesperadas afectan principalmente la vida de las mujeres y niñas que viven en la pobreza; ¿es que sus derechos humanos no merecen igual protección ante la ley?

Algunos lugares de América Latina y el Caribe han reconocido las graves violaciones de derechos humanos que resultan cuando el acceso al aborto seguro y legal se prohíbe o se restringe. A pesar de estos avances, la triste realidad en la región es que todavía existen leyes que castigan el aborto, y aunque en la mayoría de los países está permitido en ciertas circunstancias, con frecuencia esta legislación no se cumple en la práctica lo que conlleva graves consecuencias para mujeres y niñas. Las guías para el personal médico son en la mayoría de los casos inexistentes, poco claras o no se distribuyen, lo que lleva a utilizar el sistema judicial innecesariamente dejando mujeres y niñas embarazadas sin la posibilidad de ejercer sus derechos.

Los Estados además no dan prioridad a su propia legislación o a asegurar educación y difusión de los derechos de las mujeres y niñas en materia de salud sexual y reproductiva.

Miles de activistas de todo el mundo se encuentran el día de hoy expresando su indignación frente a estas injusticias y exigiendo “Educación sexual para decidir, anticonceptivos para no abortar y aborto legal para no morir”.

Los gobiernos deben cumplir con sus obligaciones internacionales y tomar medidas que garanticen el acceso de mujeres y niñas a sus derechos, despenalizando el aborto y promoviendo planes de educación sexual y acceso a servicios e información de planificación familiar para todos y todas, haciendo realidad que todas las mujeres decidan de manera libre e informada sobre cuándo desean tener hijos e hijas y cuántos, sin coacción o discriminación.

Información adicional

Los Estados de la región tienen el deber y la obligación de respetar y promover los derechos de las mujeres y niñas a la vida, a la integridad física; incluyendo protección contra todo tipo de violencia, a la salud, a la educación, a la información y a la no discriminación; conforme está establecido en los instrumentos internacionales y regionales de derechos humanos, en especial la Convención Interamericana para Prevenir, Sancionar y Erradicar la Violencia contra la Mujer (Convención de Belém do Pará), la Convención Americana sobre Derechos Humanos y su Protocolo Adicional sobre Derechos Económicos, Sociales y Culturales (Protocolo de San Salvador), y la Convención Interamericana para Prevenir y Sancionar a la Tortura.

Los Estados de la región también tienen la responsabilidad principal de proteger, reconocer y respetar a quienes toman acción para hacer efectivos los derechos humanos de las mujeres y niñas que se encuentran en la situación descrita anteriormente. Sus acciones son legítimas y en muchos casos fundamentales para quienes están apoyando. En este sentido, defensores y defensoras de derechos humanos deben gozar efectivamente de la posibilidad de hacer su trabajo sin temor a represalias, tal como lo afirma la Declaración de las Naciones Unidas sobre Defensores de Derechos Humanos y se ha dicho repetidas veces en el Sistema Interamericano de Derechos Humanos.

Acción de Amnistía Internacional- Chile

Activistas de Amnistía Internacional- Chile, en el contexto del Día por la Despenalización del Aborto en América Latina y el Caribe, estarán presentes con un stand informativo en el centro de Santiago.

Día: Miércoles 28 de septiembre

Hora: Desde 11:00 horas a 13:00 horas

Lugar: Plaza de Armas

Mais uma da Amélia Bündchen

Mais uma da Amélia Bündchen
Clara Roman (Fonte: http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/gisele-bundchen-e-o-sexismo)
26 de setembro de 2011 às 15:58h

Em campanha publicitária, a modelo ensina a seduzir o marido após bater o carro ou estourar o limite do cartão de crédito. Por Clara Roman. Foto: Reprodução

Menos de uma semana depois de o Brasil enviar a primeira mulher para abrir uma Assembleia Geral das Nações Unidas, a marca de lingeries Hope reforçou um outro tipo de imagem da mulher brasileira em sua nova campanha publicitária. Quem protagoniza a peça é a modelo Gisele Bündchen, que exibe o corpo impecável com as roupas da empresa.

“Você é brasileira. Use seu charme” é a mensagem-chave da publicidade. No comercial, a top ensina o modo “certo” de assumir pequenos deslizes para seu marido e traduz, em poucos minutos, os estereótipos que há anos grupos feministas tentam derrubar.

Gisele tem a difícil missão de contar ao cônjuge alguns de seus pecados, como estourar o limite do cartão de crédito e bater o carro do maridão. Para se safar da fúria do homem, ela precisa usar seus dotes “genuinamente brasileiros”. O que consiste em exibir o corpo escultural de lingerie e dizer, com um leve gingado, as atrocidades cometidas contra o provedor da casa.

Leia mais:
O que pensam os novos consumidores?
A era do pós-gênero?
‘Somos mais respeitados lá fora’
Mulheres poderão votar e ser candidatas


E o modo 'errado'. Foto: Reprodução de vídeo

Não bastasse o estereótipo da mulher que, sem trabalho, acaba por descontrolar-se nas compras e gastar todo o dinheiro do casal – com o retoque do mito ‘Mulher no volante, perigo constante’ – a propaganda ainda reforça o ideário destinado à brasileira, a da sedutora inverterada.

Vale lembrar do recente caso com brasileiras na Europa, que sofrem com preconceito associado à imagem da prostituição e do charme do corpo.

Ao mesmo tempo em que consagra o modelo da mulher-objeto, a propaganda desqualifica aquela que não carrega o modo sedutor de ser. Uma conversa sem performances de sedução – e com roupas – é tida como “errada”.

Não é um caso isolado. A estereotipação de mulheres na indústria da propaganda é corriqueira e altamente discriminatória. No mundo dos publicitários, aparentemente, o sexo feminino é aquele destinado às tarefas domésticas (em comerciais de produto de limpeza) ou à satisfação masculina nas propagandas de cerveja, em que o produto é associado com o companheirismo entre amigos, fim de expediente e atrizes exuberantes.

Ao apelar para a identificação entre a espectadora e a modelo, o comercial constrange a brasileira que busca se libertar justamente da imposição do tal “charme brasileiro”.

Existe um outro movimento ao retratar o universo feminino dentro da publicidade, conectado à realidade da mulher contemporânea, na inserção no mercado de trabalho e no compartilhamento da renda do lar. Ainda muito discretamente, no entanto, a publicidade sequer se aproxima de dar conta do complexo cenário em que se enquadra o feminino no Brasil.

Por enquanto, a propaganda ainda se encontra a anos-luz das conquistas do movimento feminista, da emancipação feminina e da construção de um ideário de igualdade entre os sexos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Poeminha

Poeminha simpático, adorável, mulherzinha (no seu melhor sentido) que fiz em outubro de 2009.

Se o dia é de sol
A noite é de lua
E se tiver estrelas
Eu caio na tua
E se me chamar
Dançamos na rua
E se ficar muito tarde
E eu acordar nua?





quinta-feira, 7 de julho de 2011

Futebol feminino e a mídia


Fico indignada pela pouca atenção que a mídia dá ao futebol feminino. Futebol é febre nacional, mas o futebol masculino. O feminino, todo mundo admira, fala da Marta, da Cristiane, mas é só... Quantas pessoas sabem que acontece, neste momento a Copa do Mundo de Futebol Feminino? Quantos jogos de seleções femininas, em plena copa, vocês estão vendo passar na TV?
Quando o assunto é Copa da Mundo de Futebol Masculino, chamada só de Copa do Mundo, porque é como se fosse a única, passam todos os jogos, de todas seleções, na Globo. Colocam-se telões em praias e parques, as pessoas são liberadas do trabalho para assistir do "Da Seleção" (masculina). Mas a Copa do Mundo (feminina), a mídia mal se limita a passar os gols da nossa SELEÇÃO e anuncia como se já estivesse de muito bom tamanho. Ressalvo a Band, que lembro que passou jogos de seleções femininas na última Copa do Mundo; este ano não sei, pois aqui em Fortaleza não tem sinal da Band. Parabéns a este canal, caso esteja passando os jogos.
Aos demais, fica aqui a minha indignação diante de tanta invisibilidade.
Mulheres a luta, na vida, no trabalho, no esporte, no futebol: queremos igualdade, inclusive na mídia, para alcançar um país mais justo e igualitário.

domingo, 17 de abril de 2011

Absurdo

Trecho do Artigo:Violência contra a mulher e políticas públicas- de Eva Alterman Blay :. Disponível no Scielo.

Ensinando a defender os que matavam "por amor"

Dentro do princípio inquestionável de que todos têm direito a defesa, a culpa deve ser provada, ensina a academia como mecanismo da argumentação. O modelo paradigmático da didática de defesa dos assassinos "por amor" encontra-se no livro de Evandro Lins e Silva A defesa tem a palavra (1991). Nele, o jurista ensina os jovens advogados a defender um assassino, mesmo que confesso, e toma como modelo a defesa que ele próprio fizera de Doca Street, o assassino de Angela Diniz.

Doca Street matou Angela Diniz e confessou o crime alguns dias depois. Convivera com ela apenas três meses. Argumentava a Promotoria (auxiliada pelo advogado Evaristo de Morais, contratado pela família de Angela), que ela não suportava mais sustentar um companheiro ciumento, agressivo e violento. Depois dos poucos meses de conturbada convivência, durante os quais houve várias tentativas de rompimento, Angela mais uma vez mandou Doca sair de sua casa em Cabo Frio (Estado do Rio de Janeiro). Este fingiu se retirar da residência, arrumou as malas, colocou-as em seu automóvel mas, minutos depois retornou munido de uma Bereta. Perseguiu-a no banheiro e a matou com vários tiros, especialmente no rosto e no crânio.

A Promotoria descreve Doca como pessoa que não trabalhava, sem endereço fixo, e que tivera várias mulheres, filhos dentro e fora do casamento, problemas criminais na juventude, homem violento e possessivo.

Como se contrapor ao perfil descrito pela Promotoria? Como demonstrar que Doca era pessoa absolutamente idônea, trabalhadora, bom pai, bom marido e com residência fixa?

O hábil defensor ensina, passo a passo, a construção desta imagem. São duas as principais estratégias. Primeiro era necessário demonstrar o bom caráter do assassino. Segundo, era importante denegrir a vítima, mostrar como ela o levara ao ato criminoso.

Doca, que não tinha profissão conhecida, passou a ser descrito como pessoa que vivia de comissões obtidas pela venda de letras de câmbio ou títulos para Bancos de Investimento. Bastaram uns três depósitos bancários para atestar esta fonte de renda. Quanto a ter se relacionado com várias mulheres, isto não é negado, porém, afirma-se que ele só amara uma: Angela Diniz.

Mas restava ainda uma pergunta: como foi possível que pessoa tão correta matasse uma mulher que conhecera há apenas três meses e pela qual nutria paixão tão fulminante? Como defender este impulso criminoso perante o Tribunal do Júri? Ensina Evandro Lins e Silva (1991, p. 27): "no Tribunal do Júri, o que se julga é o homem, muito mais do que o crime". Cabe ao defensor, portanto, munir-se de todas as informações possíveis para defender seu cliente. O bom advogado deve penetrar nos sentimentos que o levaram a cometer o crime, e, para captar estas emoções, deve servir-se da literatura. Evandro conta ter se preparado lendo A servidão humana, onde reviu as "penas de Philip, sofrendo pelo amor da insensível Mildred". Para entender a rejeição sentida pelos amantes,

medi a extensão do martírio dos apaixonados repelidos pela mulher amada. Reli a defesa de Ferri, bela, magistral, do jovem chileno Carlo Cienfuegos, que matou em Roma a amante, Bianca Hamilton, mulher fatal e sedutora, que o levou ao desvario, ao crime e à tentativa de suicídio... (Lins e Silva, 1991, p. 24).

Enfim, municiou-se para apresentar os sentimentos de rejeição, paixão, desvario, tudo o que pudesse comover o júri e levá-lo a inocentar o assassino da "mulher amada", cujo maior pecado era não aceitar tal amor.

Nas escolas de Direito, ensina-se o mecanismo da preparação da defesa. Mas será que é dada a mesma ênfase aos direitos humanos das mulheres, dos pobres, dos e das negras e demais minorias?

sábado, 16 de abril de 2011

Frase


“Para alguns (homens), a prática de atos cruéis é a única forma de se impor como homem.”
Alba Zaluar, antropóloga do Núcleo de Pesquisa das Violências na Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

"School shooting in Realengo"

"School shooting in Realengo"

DANIEL MACK e MELINA RISSO



Se hoje choramos, amanhã nós devemos pressionar as autoridades públicas para melhorar o controle sobre as armas produzidas no Brasil
Tendo importado o modelo do "school shooting" com o massacre em Realengo, o Brasil parece replicar outro aspecto desse tipo de tragédia. Com registros na Finlândia, no Iêmen, nos Estados Unidos, na Alemanha, na Argentina, no Canadá, na Escócia e na China, esse fenômeno já vitimou cerca de 300 pessoas desde 1996. Nesses casos, sempre há mais fascinação pelo "por quê?" do que pelo "como?".
Falar em "sociedade enferma", em "bullying" e em "esquizofrenia" não explica a história toda.
Wellington é o grande culpado e o único que poderia revelar o "por quê?". Mas falharemos se não analisarmos e reagirmos contra aspectos do "como" que podem evitar outras tragédias. O que permitiu que Wellington lograsse tamanha letalidade? Como alguém sem histórico criminal nem envolvimento com drogas conseguiu as armas de fogo e o recarregador?
Se hoje choramos, como fez comovida a presidente Dilma, amanhã devemos pressionar as autoridades públicas para melhorar o controle sobre as armas produzidas e em circulação no Brasil.
A maioria das armas de fogo usadas em homicídios no país -e a tragédia de Realengo é uma parte do problema que vitima anualmente mais de 30 mil pessoas- é brasileira! O revólver calibre 38 (como um dos que o atirador tinha), fabricado e vendido legalmente, é o vetor da epidemia de violência armada.
Segundo a CPI do Tráfico de Armas, 76% das armas usadas em crimes na cidade do Rio de Janeiro ao longo de dez anos eram nacionais.
A segunda arma usada pelo atirador, calibre 32, tinha proprietário legal e foi roubada; aqui, o mercado legal abastece o ilegal.
Nos EUA, na maioria das tragédias escolares, as armas foram compradas legalmente, dada a permissividade do país no tema.
No Brasil, comprar arma legalmente ficou mais difícil com o Estatuto do Desarmamento, mas outras medidas previstas no estatuto ainda não saíram do papel.
É preciso melhorar a qualidade das informações sobre armas em circulação e fiscalizar com mais rigor grupos e locais vulneráveis a desvios: colecionadores, atiradores, caçadores e empresas de segurança privada, além dos estoques em fóruns, corporações policiais ou batalhões das Forças Armadas.
É essencial também reduzir o número de armas no país, estimado em mais de 16 milhões. A campanha de desarmamento voluntário deve voltar, assim como ações policiais de apreensão de armas ilegais.
No Congresso Nacional, muitos se manifestaram pelo fortalecimento do controle de armas. Legislar a partir de tragédias nunca será uma boa solução para a segurança pública, mas, em momentos em que a legislação pode ser decisiva, o Congresso não deve se calar.
Portanto, os parlamentares preocupados com a segurança dos brasileiros devem ser os maiores defensores do Estatuto do Desarmamento, impedindo que a "bancada da bala", cujas campanhas são financiadas pela indústria de armas, desvirtue o estatuto, tentando conceder porte para várias categorias e flexibilizar requisitos para comprar armas. Nossa comoção deve ser o combustível para ações concretas nas esferas administrativas, políticas e legislativas.
Não à toa, na Alemanha, na Escócia e no Canadá medidas mais rígidas de controle de armas foram tomadas após ataques em escolas.
Não devemos eximir nenhum dos partícipes ocultos da tragédia -nem permitir que nossa apatia prevaleça. É hora de agirmos para reverter o quadro de homicídios que entristece o país.
DANIEL MACK é coordenador da área de controle de armas do Instituto Sou da Paz.
MELINA RISSO é diretora do Instituto Sou da Paz.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Notícias

As coisas por aqui vão tudo bem... Ando sumida porque não tenho internet em casa; aliás, isso é bom, agora temos casa; e também já comecei a trabalhar.

No mais, um texto para reflexão; reportagem que foi publicada na Folha:

A cada dois minutos, cinco mulheres espancadas no Brasil


Uma pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. A pesquisa “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado” foi feita em agosto de 2010 e complementa estudo similar de 2001. Foram ouvidos 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos, em 25 Estados, sobre diversos temas. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência.

Para chegar a essa estimativa, os pesquisadores projetaram, com base em sua amostra, que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões - 1,3 milhão delas nos doze meses que antecederam a pesquisa.

O aspecto positivo dos dados é que eles caíram: há 10 anos, eram oito as mulheres agredidas a cada dois minutos. Isso não deve, porém, minimizar o absurdo de ainda se ter esse enorme contingente de espancadas no País, acreditam os pesquisadores.

“Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas”, diz Gustavo Venturi, professor da USP e supervisor da pesquisa.

Força da lei

A pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. “A lei é uma expressão de uma crescente consciência do problema da violência contra as mulheres”, afirma. Entre os pesquisados, 80% aprovam a nova legislação. Mesmo entre os 11% que são críticos, a principal ressalva é ao fato de que a lei é insuficiente.

Esta edição do estudo traz também dados inéditos sobre o que os homens pensam sobre a violência contra mulheres. Enquanto 8% do total admitem ter batido na mulher, 48% dizem ter um amigo ou conhecido que batem na mulher e 25% têm parentes que agridem as companheiras. “Dá para deduzir que o número de homens que admitem agredir está subestimado. Afinal, metade conhece alguém que bate”, avalia Venturi.

Ainda assim, surpreende que, no total de homens, 2% declarem que “tem mulher que só aprende apanhando bastante”. Além disso, entre os 8% que assumem praticar violência, 14% acreditam ter agido bem e 15% declaram que bateriam de novo, o que indica um padrão de comportamento e não uma exceção.

Respostas sobre agressões sofridas ainda na infância reforçam a ideia de que a violência pode fazer parte de uma cultura familiar. “Pais que levaram surras quando crianças tendem a bater mais em seus filhos”, explica Venturi. No total, 78% das mulheres e 57% dos homens que apanharam na infância acreditam que dar tapas nos filhos de vez em quando é necessário.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amor...

Escrevi este texto e trabalhei hoje na aula do Terceiro Ano (EM). A discussão foi muito interessante. O texto foi escrito as pressas e por isso, está sem bibliografia, mas enfim, Giddens, Baumann, etc, foram relidos.

Amor, sexo, paixão...

De onde vem o amor? Como surgiu? Em variadas idades, essa é uma pergunta que em algum momento surge na vida de cada um. Há inúmeros estudos sobre este sentimento humano tão avassalador, controverso, angustiante. Algum tipo de amor é certo que existe desde pelo menos o processo de humanização do homem, mesmo que não houvesse uma definição exata deste sentimento. Um amor a deus ou aos deuses, amor fraterno entre aqueles que estavam vivendo no grupo. Mas o amor, romântico, relação amorosa entre dois seres, de sexo diferente ou igual, quando surgiu? A partir de agora nos deteremos neste sentimento, de amor romântico, tão naturalizado na nossa sociedade contemporânea.
Há muitas teorias sobre o surgimento desse sentimento. Alguns dizem que existe há mais de mil anos, que desde a invenção da escrita, há papiros egípcios testemunhando alguma espécie de romantismo. Outros o associam a algo surgido mais recente, entre fins do século XVI e início de XVII, associado a obra de W. Shakespeare, sendo "Romeu e Julieta" os primeiros protagonistas desse sentimento idealizado e até aquele momento, impossível.
Milhares de anos ou centenas, não há ao certo como saber, mas pode-se afirmar que nas civilizações conhecidas antes do século XIX todos os casamentos, pelo menos aqueles a que foi possível estudar, eram realizados visando interesses dos mais diversos, mas principalmente financeiros. Não se questionava se havia o amor romântico entre o casal; o casamento era escolhido e programado pela família.
Na sociedade Ocidental (Europa e suas influências), na segunda metade do século XIX a atenção, nas classes burguesas passa a se voltar para os valores individuais, sendo que o ser humano (apenas os homens, importante ressaltar) passa a ser valorizado na sua individualidade, tendo agora mais possibilidade de fazer suas próprias escolhas. A escolha do par amoroso passa a ter alguma liberdade, porém ainda bastante limitada a escolha de pares entre a mesma classe social. A maioria das escolhas era protagonizada pelos homens, sendo que as mulheres, na sua condição de ser romântico, casto e idealizado, cabia ser conquistada e corresponder de forma carinhosa ao seu parceiro. Ou seja, o homem, tanto na conquista quanto na sexualidade assumia o papel ativo, enquanto a mulher era condicionada a passividade. Sabe-se que casamentos onde as famílias escolhiam os pares aconteceram até princípios do século XX, mas como já foi dito, a partir do século XIX, na maioria dos casos havia maior liberdade para o desenvolvimento do amor romântico, agora já não mais proibido, como nos séculos de Romeu e Julieta. Havia sempre uma grande vigília masculina sobre a sexualidade feminina: nos primeiros anos de sua juventude, era realizada pelo pai e irmãos, que a deviam mante-la virgem; após o casamento, era feita pelo marido, que devia assegurar a sua fidelidade, sendo que em muitos casos era permitido punir com a morte a esposa infiel. No Brasil essa lei valeu ainda nas primeiras décadas do século XX, sendo conhecida como "defesa da honra". O adultério masculino sempre foi socialmente aceito.
A mulher passa a ter um papel mais ativo nas suas escolhas amorosas e sexuais principalmente a partir da década de 1960. É nesta década que eclodem a maioria dos movimentos feministas (muitas manifestações de mulheres tentando sua independência e algumas poucas conquistas já haviam sido feitas ao longo dos séculos, mas esta década simboliza o auge da luta feminina). Neste período, a invenção da pílula anticoncepcional foi um símbolo de luta pela liberdade e independência sexual. Com ela, a mulher podia controlar sua fecundidade, fugindo a vigília masculina. Muitos acontecimentos de rebeldia e mudança ocorriam ao mesmo tempo em todo o Ocidente, mas eles serão mais detalhados no estudo do tema "contracultura".
Hoje em dia, o amor romântico não é mais questionado e sim, aceito como algo da "natureza humana". As escolhas sexuais poucas vezes são limitadas, principalmente entre os jovens (ainda que a mulher ainda sofra muito com a violência contra o seu gênero em nome desta liberdade). Apaixonar-se e desapaixonar-se pode ocorrer várias vezes ao longo da vida, ou muitas vezes num mesmo ano; ter um parceiro sexual para a vida inteira, ou quantos se achar necessário para a busca do prazer e felicidade, tornou-se unicamente uma escolha pessoal, pela qual apenas o indivíduo pode decidir. Os valores e escolhas individuais estão cada vez mais sendo respeitados.
A sexualidade, que até pouco tempo era tratada com todo o pudor, vigília e tabus, hoje em dia ganha espaço amplo na vida pública, sendo debatida nas escolas, políticas públicas de saúde, medicina, nos meios de comunicação e é algo tratado (em algumas sociedades ao menos) com maior esclarecimento e menos vergonha, sendo estudado desde a infância. Em muitos casos, a política "falar é melhor que esconder", é tida como uma máxima de prevenção de vários riscos ao qual a sociedade está exposta, como as DST’s, gravidez precoce, etc. Os adolescentes estão começando sua sexualidade cada vez mais cedo e o número de parceiros é cada vez maior, então não tratar do assunto é negar uma realidade escancarada.
Contudo, nossa sociedade das crises (de identidade, de respostas, etc) acaba esvaziando também este sentimento do amor. O sexo, em alguns casos, passa a ser vazio de sentido, tornando-se uma experiência banal, um hábito compulsivo, uma busca por algo que não se sabe o que é. Há muitas pessoas que se consideram viciadas em sexo, fazem tratamentos psiquiátricos para isso e participam de grupos de apoio, que funcionam nos mesmo moldes dos Alcoólicos Anônimos. Há pessoas que não vêem sentido em suas relações sexuais, mas vivem numa busca incessante por parceiros, sentindo aí um poder de domínio e um sentimento de vazio após cada relação, não conseguindo, devido a sua compulsão, criar nenhum tipo de laço.
A sociedade humana ocidental está abalada por esta falta de laços; os vínculos são cada vez mais fluidos, rápidos; até as relações amorosas muitas vezes se resumem a encontros breves sem nenhuma expectativa de continuidade. Mas isso não é somente um traço negativo. Naqueles que não caem nas relações vazias, no vício e na compulsão, a liberdade de escolhas e a não-necessidade de laços para a realização sexual pode ter algumas vantagens. O indivíduo, como já dito, tem maior liberdade para ir atrás da própria felicidade. O "felizes para sempre" ou "até que a morte os separe" torna-se para muitos algo a ser buscado, mas não mais uma obrigação. Não há nada que prenda alguém a um único parceiro para o resto da vida. A maioria dos relacionamentos começam ao acaso, sem compromissos e expectativas. As pessoas mantém-se juntas enquanto a satisfação, a felicidade e o prazer for possível para ambos; se for "para sempre" que bom; se não der certo, todos tem a chance de partir para um próximo relacionamento. O amor e a satisfação andam juntos e são uma busca constante até que se possa atingir a sua plenitude.
E o "mercado amoroso" é extremamente amplo. A busca de parceiros pode acontecer de várias formas, na vida real ou virtual. O número crescente de agências de encontros, de sites de relacionamentos mostra quão ampla é essa escolha. Os sites de relacionamentos podem apenas alimentar esta busca incessante e viciosa de conquistas vazias, mas também podem propiciar satisfações tão amplamente buscadas. Há muitas narrativas de relacionamentos duradouros que iniciaram pela internet.
Concluindo: amor, sexo, paixão é uma busca individual, iniciada cada vez mais cedo, mas que se estende ao longo da vida. É permeada de sentidos e escolhas individuais, mas que tem sempre como centro a realização pessoal, em conjunto com a realização do parceiro. Este é pelo menos, o ideal da sociedade contemporânea.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quando a máscara cai

Quando a máscara cai
(10/7/2010) Estado.com.br
Jorge Forbes

Perdidos de sua identidade, jogadores se alienam em personalidades forjadas e em um sentimento de ilimitação

É dessas fotos que ficam no imaginário coletivo: Pelé aos 17 anos, campeão do mundo, chorando no ombro do grande Gilmar, que o ampara, o consola, o anima, o conforta. Passados não mais de 52 anos, a reprodução dessa cena é quase impensável. Se o garoto Neymar tivesse sido campeão do mundo nos seus atuais 18 anos, como muitos queriam, em que ombro choraria de emoção, se é que choraria? No de Dunga, velho e bravo campeão; no de Kaká, veterano de outras copas e acostumado aos aplausos? Não, não parece a ninguém factível a repetição daquela cena protagonizada por Pelé e Gilmar nos campos da Suécia. Meninos de hoje não choram mais nos ombros de seus ancestrais, meninos de hoje não têm ancestrais. A sociedade pós-moderna pulveriza as verticalidades e não provê acolhimento das angústias nas hierarquias verticais, nos mais velhos, nos mais experientes, nos que já passaram por isso. O resultado está aí. A série que deveria ser descoberta, sucesso, fama, dinheiro, conforto e satisfação tem sido descoberta, sucesso, fama, dinheiro, mulheres, drogas, violência, desastres, prisão ou ostracismo.

Podemos pensar em uma explicação paradigmática, além das particularidades de cada caso, o que o mais das vezes só anda tampando o sol com a peneira: foi o pai violento, a mãe alcoólatra, as más companhias, a péssima educação, o irmão psicopata, etc. Ocorre que a saída da pobreza e do anonimato para a riqueza e a fama, subitamente, gera uma forte crise de identidade. Ter sucesso é cair fora; na palavra sucesso existe a raiz ceder, cair. Quem tem sucesso cai fora do seu grupo habitual de pertinência. Tom Jobim não tinha razão quando dizia que o brasileiro não desculpava o sucesso, pois nenhum povo desculpa, só variam as maneiras de demonstrá-lo. A máxima de Ortega y Gasset ainda é válida: Eu sou eu e a minha circunstância. E quando a minha circunstância muda abruptamente, fica a pergunta profundamente angustiante: Quem sou eu?, que fundamenta a crise de identidade.

Aí, com frequência, a pessoa se aliena em uma identidade forjada, aquela que fica bem na fotografia, a máscara; surge assim o mascarado. Quantos e quantos jogadores de futebol não se transformaram em mascarados diante dos nossos olhos? E a coisa não para por aí. A máscara não é suficiente para dominar a angústia causada pelo sucesso, vindo, em seguida, um sentimento terrível de ilimitação, de poder tudo. Quer alguma coisa, compra; quer um amor, toma; quer ter razão, impõe. Esse sentimento de quebra de fronteiras pede um basta que não raramente aparece da pior forma: no insulto, no acidente, na morte. Alguns têm a sorte de passar por um desastre controlável e depois conseguem se recuperar, carregando beneficamente a cicatriz de sua desventura, mas muitos e muitos vão e não voltam.

Não pensemos que a solução está no treinamento de ombros amigos, como os do passado, dado em lições risíveis de moral e cívica extraídas dos panfletos de neorreligiões televisivas, ou de jornalistas histriônicos que se querem baluartes da dignidade social. O que entendemos necessário é um trabalho com todos os grupamentos que convivem com esse fenômeno de mudança de status repentina, dos quais as equipes de futebol são um exemplo maior, um trabalho que saiba tratar do problema da perda de identidade como foi aqui referida.

No mundo de hoje, um mundo horizontal sem baluartes fixos, sem Gilmares para as pessoas se apoiarem, é necessário que possamos oferecer novos tratamentos às crises de identidade que se multiplicam. Se o tratamento não reside mais em se mirar no exemplo do ídolo da geração anterior, o que temos a fazer é implicar cada um em seu ponto de vergonha essencial, aquele que a fama não recobre e que o dinheiro não compra, um ponto de vergonha que todo ser humano carrega em si por ter nascido e não saber muito bem o que faz por aqui, por se sentir um acontecimento sem explicação. Pois bem, não deixemos ninguém se acomodar no empobrecedor e perigoso eu sou o máximo. Fiquemos com a lição do próprio futebol, de que cada partida é uma nova partida, sem piloto automático, sem já ganhou, sem triunfalismo. Fica a recomendação para os técnicos do futuro: mais invenção com responsabilidade e menos repetição com disciplina.

JORGE FORBES É PSICANALISTA. PRESIDE O INSTITUTO DA PSICANÁLISE LACANIANA E DIRIGE A CLÍNICA DE PSICANÁLISE DO CENTRO DO GENOMA HUMANO, DA USP

http://www.ccr.org.br/a_noticias_detalhes.asp?cod_noticias=10763

domingo, 11 de julho de 2010

Futebol

Em nome de todas as mulheres que gostam de futebol; que mesmo que não saibam bem identificar um impedimento, sabem o que é tiro de meta, lateral, escanteio, etc. A nós, que não olhamos a copa do mundo só para ver homens bonitos (mesmo que alguns Forlán's da vida não tivesse como não "reparar"), a todas nós que preferimos olhar, torcer, vibrar do que fazer compras no shopping, como muitos gostam de insinuar, colocando o futebol como coisa masculina; em nome de nós mulheres que gostam de futebol, grupo que cresce cada dia mais, digo: Parabéns Espanha! Foi merecido! E é a voz do Polvo!



E atenção, terça-feira começa a Copa do Mundo de Fuebol Feminino Sub 20, e os jogos do Brasil e os jogos finais serão transmitidos pela Band, conforme abaixo.
Calendário:
13/07/10 | ter | 06:15 | Brasil x Coréia do Norte

16/07/10 | sex | 09:45 | Brasil x Suécia

20/07/10 | ter | 09:15 | Brasil x Nova Zelândia

24/07/10 | sáb | 06:15 | Quartas de Final

24/07/10 | sáb | 12:45 | Quartas de Final

29/07/10 | qui | 10:15 | Semifinal

29/07/10 | qui | 13:15 | Semifinal

01/08/10 | dom | 06:45 | 3º lugar

01/08/10 | dom | 09:45 | Final

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Violência contra a mulher e violências múltiplas...

Com certeza qualquer pessoa que não seja um ermitão, querendo ou não, está sabendo do caso Elisa. É impossível não saber já que os meios de comunicação falam apenas disso, noite e dia. É a "bola da vez", sem querer usar de sarcasmo, já que o crime envolve, como todos também sabem, um famoso goleiro.
O caso é visivelmente mais um revoltante caso de violência contra a mulher. Mais uma vez me revolto e venho falar desse assunto, que se dependesse do meu desejo, não falaria mais, mas é impossível, porque essa violência permeia nossa sociedade e é inaceitável. Enquanto mulher, enquanto ser humano, não posso não me afetar com este caso.
Contudo, o que mais me revolta é a maneira como a mídia está tratando o caso. O caso Elisa torna-se banal, a violência contra a mulher é raramente mencionada; o que parece importar neste caso é que o assassino seja uma pessoa famosa, goleiro de um dos principais times do país; as pessoas estão mais preocupadas em refletir em como o rapaz pode ter feito isso, em como ele estragou sua vida, no fato de ele ter perdido os patrocínios, em como isso afeta o Flamengo; querem saber de tudo, menos refletir sobre o real problema: a extrema violência contra a mulher que envolve o caso.
O que a mídia faz é apenas aumentar a violência do caso. Ao invés de trazer alguém para debater a violência na sociedade, traz um comentarista de futebol para discutir o que isso afeta a vida do goleiro; ao invés de tratar com um mínimo de bom senso, reflexão, trata o caso de uma forma sensacionalista, relatando a crueldade com todos os detalhes sórdidos. E a violência aumenta porque a família da moça fica exposta, sendo violentada em seus direitos; o adolescente envolvido no caso sofre dupla violência: em primeiro lugar, por ter sido obrigado a presenciar cenas de horror, e agora, pela mídia estar relembrando detalhadamente estas cenas, que ele viu, a cada minutos. Ou seja, além da Violência contra a mulher, há também neste caso explicitamente a Violência contra a Criança e Adolescente, praticada tanto pelos assassinos quanto pela mídia. e isto também, em nenhum momento é questionado.
E assim, a violência contra a mulher e as diversas formas de violência, ao invés de ser combatida e debatida, é apenas propagada e mascarada.