quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Doutor honoris causa: mundo acadêmico x mundo real
http://sul21.com.br/jornal/2011/09/doutor-honoris-causa-mundo-academico-x-mundo-real/?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed#postcomment
O metalúrgico, que diziam ser analfabeto e ignorante, virou doutor. Luis Inácio Lula da Silva recebeu o título de doutor honoris causa, na última terça-feira (27), concedido pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, um dos mais respeitados centros de ensino e pesquisa no mundo. Fundado em 1871 e ligado à Universidade Sorbone, o Sciences Po, como é conhecido no meio acadêmico, só concedeu este título a 16 personalidades, sendo Lula o primeiro latino-americano.
– Lula recebe título de doutor honoris causa na França
Este é o sétimo título de doutor concedido ao ex-presidente brasileiro, que optou por recebê-los somente depois do término de seu mandato. No plano internacional, Lula já recebeu igual homenagem em Portugal, na Universidade de Coimbra. Diferentemente do que ocorre no Brasil, os grandes centros universitários mundiais têm por hábito acolher políticos que se destacam em seus países, prestando-lhes homenagens, convidando-os para proferir conferências e dar seminários ou, ainda, fazer estágios em suas instituições. Impõem como pré-requisito a competência política e não a formação acadêmica anterior.
No Brasil, as grandes universidades dificilmente acolhem personalidades do mundo político. Pela ordem de concessão, Lula recebeu títulos honoris causa das universidades federais de Viçosa (UFV), da Bahia (UFBA) e de Pernambuco (UFPE) e de mais duas universidades do mesmo estado, a federal rural (UFRPE) e a de Pernambuco (UPE). USP, UNICAMP, UFRJ, UFRGS e UnB, as melhor posicionadas no ranking universitário nacional, raramente recebem políticos sem formação acadêmica, seja para que eles participem de seminários e palestras, seja para que eles recebam homenagens por suas atuações.
A resistência existente nos centros universitários brasileiros melhor conceituados se faz contra os políticos, de modo geral, mas se acerba em relação aos políticos não “ilustrados”. O mundo acadêmico brasileiro tende a considerar que tudo o que vem do mundo prático e da experiência empírica deve ser rejeitado ou, ao menos, visto com ressalvas. A academia, pretendem os acadêmicos brasileiros, principalmente aqueles que se dedicam às áreas das ciências humanas e sociais, deve manter distância crítica do mundo real. Este tipo de “distância crítica” acaba eliminando a possibilidade de um rico diálogo entre os atores da vida social e os intelectuais que a estudam.
Existe, na verdade, um preconceito mútuo. Nem os “militantes” do mundo empírico admiram a academia e acham importante se aproximar dela, nem os acadêmicos universitários valorizam e buscam eliminar as barreiras que os separam do “mundo real”. Reforçam-se, deste modo, as resistências mútuas, o que é uma pena. Um país ainda tão carente como o Brasil não deveria se dar ao luxo de manter apartados os bons políticos e os bons acadêmicos, pois ambos são fundamentais para o projeto de desenvolvimento do país .
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Leila Lopez: Uma Diva


Ontem assisti pela internet o concurso de Miss Universo 2011.
Não sou fã de concursos de beleza, por causa dos padrões (principalmente anoréxicos) que são impostos, mas o Miss Universo sempre tem seu charme e é difícil passar despercebido.
Enfim, movida pela curiosidade e ociosidade, fui assistir o tal concurso.
Muitas mulheres lindas, outras tantas extremamente padronizadas; algumas vezes era impossível distingui-las.
Foi quando meus olhos (e os do mundo) pararam em Leila Lopez. Uma Diva transitando entre outras tantas concorrentes. Engraçado é que lendo os comentários na internet e ouvindo o público, a torcida para ela era tão grande quanto pra brasileira, Priscila. E acabou que me entusiasmei a torcer por ela também.
Leila Lopez não vencer seria injusto, era o que pensava a maioria, pelo clima que pairava.
E por um milagre se fez a justiça e o povo teve razão num concurso de beleza: Leila Lopez, a Miss Universo 2011. Podem até dizer que é por questão política e tal, mas quem realmente olhou, com o coração livre de preconceitos raciais, viu que não. Linda, esplendorosa, uma verdadeira majestade, um brilho a mais entre tantas beldades (algumas tão fabricadas num modelo padrão). Muito merecido. Ela ganhou o público, ganhou os jurados, ganhou o título. Não tinha outra, qualquer outra seria injusto. Priscila, linda e simpática, ficou em 3º. Parabéns a ela também. Faz tempo que a representante brasileira não ficava tão bem classificada. Mas dessa vez o mundo aplaudiu de pé a beleza incontestável da diva angolana.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
11 de setembro. Onde estão os terroristas?
Nada mais de se esperar de um país que vive da exploração de outros países, que ainda aceita a pena de morte e que sem dúvida, ainda é um dos maiores terroristas do mundo.
Indiferente de propriedade, o único canal no qual vi, nesta proximidades do 11 de setembro, uma postura crítica com relação ao fato, foi na Record e elogio isso.
A reportagem falava sobre os horrores da guerra ao terror e de todos os crimes contra os Direitos Humanos praticados pela grande potência e na irracionalidade desta guerra que se dizia contra o terror mas que não fez nada mais que praticar terror em nome da ganância desmedida, pelo ouro negro que correm no subsolo, como todos também sabe. Mas vamos aos números trazidos pela reportagem: organizações de Direitos Humanos e várias fontes, somam que o número de mortos somando as duas guerras, chega a próximo dos 900 mil, entre soldados (iraquianos, afegãos, norte-americanos) e civis. Isso mesmo, 900 mil!!! 300 vezes mais do que os mortos nas somas dos atentados aos EUA. É como se uma vida de um cidadão norte-americano valesse 300 vezes mais do que a de um Iraquiano, Afegão ou mesmo Soldado americano. Sim, porque só o número de soldados norte-americanos mortos no Iraque é muito maior do que o número de pessoas mortas nos ataques.
Enfim, o número de atrocidades e terrorismos praticados pelos norte-americanos nessas duas guerras vai longe. A reportagem trazia o caso de 12 soldados norte-americanos que estão sendo julgados. Eles tinham um grupo de extermínio de civis: saiam atirando em civis por diversão. Além disso, os estupros, torturas, violações, ataques com bombas em alvos civis, Guantanamo... vai longe o terrorismo daqueles que tentaram enganar o mundo como salvadores da democracia ocidental contra o terror do oriente médio.
Desta forma, pra não falar da guerra e do fracasso da mesma, de tudo que todo mundo sabe e não tem como esconder, a TV Plim Plim mostra, de forma comovente e emocionada a dor daqueles que perderam lá os seus 2.900 mortos; aqueles que perderam 900 mil vidas, esses continuam invisíveis.
"Nunca vimos o fogo e o fume, nunca sentimos o odor do sangue, nunca nos crusazamos com os olhares atorrizados das crianças cujo os pesadelos serão doravante assombrados pelo ruído dos mísseis lançados por terroristas invisíveis, conhecidos com o nome de Americanos"
Martin Kelly, publisher of a nonviolence website - Tradução: Octopus (http://estrolabio.blogs.sapo.pt/1562496.html)
Que Deus abençoe a América e as suas bombas
Quando eles bombardearam a Coreia, o Vietnam, o Laos, o Camboja, El Salvador e a Nicarágua, eu não disse nada, não era comunista.
Quando eles bombardearam a China, o Guatemala, a Indonésia, Cuba e o Congo, eu não disse nada, não estava ao corrente.
Quando eles bombardearam o Libano e Granada, não disse nada, não percebia nada.
Quando eles bombardearam o Panamá, não disse nada, não era traficante de droga.
Quando eles bombardearam o Iraque, o Afeganistão, a Somália e o Iemen, não disse nada, não era terrorista.
Quando bombardearam a Jugoslávia e a Líbia por razões "humanitárias", não disse nada, parecia ser por uma boa causa
Quando eles vieram bombardear-me, não havia ninguém para me defender. De qualquer maneira não faz mal, dado que já estava morto.
William BLUM



segunda-feira, 18 de julho de 2011
Na história
terça-feira, 3 de maio de 2011
1° maio, para não passar em branco
27 de Abril de 2011 - 16h49
1º de Maio: Uma história de luto, rebeldia e luta
O Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889 por um congresso da Internacional Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Hoje, é celebrada em todo o mundo, menos no país onde sucederam os acontecimentos que a inspiraram, os EUA
A polícia não poupou bala nem cassetete para reprimir a greve que originou o 1 de Maio
Leia também:
O Dia do Trabalho no Brasil
A homenagem de Maiakovski
Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia.
Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de Maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalhador.
Chicago, maio de 1886
O retrocesso imposto à classe trabalhadora em boa parte do mundo neste momento, em especial na Europa, faz lembrar os primórdios do Modo de Produção Capitalista, quando o grau de exploração do trabalho era bem maior do que hoje. Salários baixos associadas a longas e extenuantes jornadas eram a regra nas fábricas. A saúde física e mental dos trabalhadores estava comprometida por jornadas que se estendiam até 17 horas diárias, prática comum nas indústrias da Europa e dos Estados Unidos no final do século XVIII e durante o século XIX. Férias, descanso semanal e aposentadoria não existiam. Para se protegerem em momentos difíceis, os trabalhadores inventavam vários tipos de organização – como as caixas de auxílio mútuo, precursoras dos primeiros sindicatos.
Com as primeiras organizações, surgiram também as campanhas e mobilizações reivindicando maiores salários e redução da jornada de trabalho. Greves, nem sempre pacíficas, explodiam por todo o mundo industrializado. Chicago, um dos principais polos industriais norte-americanos, também era um dos grandes centros sindicais. Duas importantes organizações lideravam os trabalhadores e dirigiam as manifestações em todo o país: a AFL (Federação Americana de Trabalho) e a Knights of Labor (Cavaleiros do Trabalho). As organizações, sindicatos e associações que surgiam eram formadas principalmente por trabalhadores de tendências políticas socialistas, anarquistas e social-democratas. Em 1886, Chicago foi palco de uma intensa greve operária. À época, Chicago não era apenas o centro da máfia e do crime organizado era também o centro do anarquismo na América do Norte, com importantes jornais operários como o Arbeiter Zeitung e o Verboten, dirigidos respectivamente por August Spies e Michel Schwab.
Imprensa burguesa
Atualmente, é notória a cobertura parcial dos fatos e a hostilidade dos grandes meios de comunicação ou da chamada mídia hegemônica aos movimentos sociais e, em particular, aos sindicatos. Mas tudo isto não chega a ser novidade. Os jornais patronais daquela época chamavam os líderes operários de cafajestes, preguiçosos e canalhas que buscavam criar desordens. Uma passeata pacífica, composta de trabalhadores, desempregados e familiares silenciou momentaneamente tais críticas, embora com resultados trágicos no pequeno prazo. No alto dos edifícios e nas esquinas estava posicionada a repressão policial. A manifestação terminou com um ardente comício.
No dia 3, a greve continuava em muitos estabelecimentos. Diante da fábrica McCormick Harvester, a policia disparou contra um grupo de operários, matando seis, deixando 50 feridos e centenas presos, Spies convocou os trabalhadores para uma concentração na tarde do dia 4. O ambiente era de revolta apesar dos líderes pedirem calma.
Brutal repressão
Os oradores se revesavam; Spies, Parsons e Sam Fieldem, pediram a união e a continuidade do movimento. No final da manifestação um grupo de 180 policiais atacou os manifestantes, espancando-os e pisoteando-os. Uma bomba estourou no meio dos guardas, uns 60 foram feridos e vários morreram. Reforços chegaram e começaram a atirar em todas as direções. Centenas de pessoas de todas as idades morreram.
Justiça de classe
A repressão foi aumentando num crescendo sem fim: decretou-se “Estado de Sítio” e proibição de sair às ruas. Milhares de trabalhadores foram presos, muitas sedes de sindicatos incendiadas, criminosos e gângsters pagos pelos patrões invadiram casas de trabalhadores, espancando-os e destruindo seus pertences.
A justiça revelou seu caráter de classe, burguesa e antioperária, quando levou a julgamento os líderes do movimento, August Spies, Sam Fieldem, Oscar Neeb, Adolph Fischer, Michel Shwab, Louis Lingg e Georg Engel. O simulacro de julgamento começou dia 21 de junho e desenrolou-se rapidamente. Provas e testemunhas foram inventadas. A sentença foi lida dia 9 de outubro, no qual Parsons, Engel, Fischer, Lingg, Spies foram condenados à morte na forca; Fieldem e Schwab, à prisão perpétua e Neeb a quinze anos de prisão.
A defesa de Spies
August Spies fez a própria defesa no julgamento. Não se curvou aos carrascos da burguesia e reiterou suas convicções no futuro luminoso do movimento operário. Leia abaixo um pequeno trecho do seu último discurso:
"Se com o nosso enforcamento vocês pensam em destruir o movimento operário - este movimento de milhões de seres humilhados, que sofrem na pobreza e na miséria, esperam a redenção – se esta é sua opinião, enforquem-nos. Aqui terão apagado uma faísca, mas lá e acolá, atrás e na frente de vocês, em todas as partes, as chamas crescerão. É um fogo subterrâneo e vocês não poderão apagá-lo!"
Parsons também falou:
"Arrebenta a tua necessidade e o teu medo de ser escravo, o pão é a liberdade, a liberdade é o pão". Ele fez um relato da ação dos trabalhadores, desmascarando a farsa dos patrões com minúcias e proclamou seus ideais:
"A propriedade das máquinas como privilégio de uns poucos é o que combatemos, o monopólio das mesmas, eis aquilo contra o que lutamos. Nós desejamos que todas as forças da natureza, que todas as forças sociais, que essa força gigantesca, produto do trabalho e da inteligência das gerações passadas, sejam postas à disposição do homem, submetidas ao homem para sempre. Este e não outro é o objetivo do socialismo".
Execução
No dia 11 de novembro, Spies, Engel, Fischer e Parsons foram levados para o pátio da prisão e executados. Lingg não estava entre eles, pois suicidou. Seis anos depois, o governo de Illinois, pressionado pelas ondas de protesto contra a iniqüidade do processo, anulou a sentença e libertou os três sobreviventes.
Em 1888 quando a AFL realizou o seu congresso, surgiu a proposta para realizar nova greve geral em 1º de maio de 1890, a fim de se estender a jornada de 8 horas às zonas que ainda não haviam conquistado.
Primeiro de Maio em Portugal em 1974, após a Revolução dos Cravos
Internacional Socialista
No centenário do início da Revolução Francesa, em 14 de julho de 1889, reuniu-se em Paris um congresso operário marxista. Os delegados representavam três milhões de trabalhadores. Esse congresso marca a fundação da Segunda Internacional.
Na hora da votar as resoluções, o belga Raymond Lavigne encaminhou uma proposta de organizar uma grande manifestação internacional, ao mesmo tempo, com data fixa, em todas os países e cidades pela redução da jornada de trabalho para 8 horas e aplicação de outras resoluções do Congresso Internacional. Como nos Estados Unidos já havia sido marcada para o dia 1º de maio de 1890 uma manifestação similar, manteve-se o dia para todos os países.
No segundo Congresso da Segunda Internacional em Bruxelas, de 16 a 23 de setembro de 1891, foi feito um balanço do movimento de 1890 e no final desse encontro foi aprovada a resolução histórica: tornar o 1º de maio como "um dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade".
O ideal da igualdade
Como vemos, a greve de 1º de maio de 1886 em Chicago, nos Estados Unidos, não foi um fato histórico isolado na luta dos trabalhadores, ela representou o desenrolar de um longo processo de luta em várias partes do mundo que, já no século 19, acumulavam várias experiências no campo do enfrentamento entre o capital (trabalho morto apropriado por poucos) versus trabalho (seres humanos vivos, que amam, desejam, constroem e sonham!).
O incipiente movimento operário que nascera com a revolução industrial, começava a atentar para a importância da internacionalização da luta dos trabalhadores. O próprio massacre ao movimento grevista de Chicago não foi o primeiro, mas passou a simbolizar a luta pela igualdade, pelo fim da exploração e das injustiças.
Muitos foram os que tombaram na luta por mundo melhor, do massacre de Chicago aos dias de hoje, um longo caminho de lutas históricas foi percorrido. Os tempos atuais são difíceis para os trabalhadores, a nova revolução tecnológica criou uma instabilidade maior, jornadas mais longas com salários mais baixos, cresceu o número de seres humanos capazes de trabalhar, porém para a nova ordem eles são descartáveis.
Capitalismo e imperialismo
A realidade continua revelando cotidianamente a face perversa do capital, que não vacila em explorar o ao trabalho infantil, degradar a natureza e ampliar o desemprego e a pobreza. Ao longo do século 20 o capitalismo se globalizou, foi dominado por grandes empresas monopolistas e se transformou em imperialismo, um sistema em que as grandes potências exploram sem piedade a classe trabalhadora dos países mais atrasados e semeiam a guerra. O imperialismo é responsável por duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945) e continua promovendo conflitos, como se vê no Oriente Médio (Iraque, Afeganistão e Líbia). O imperialismo é uma pedra no caminho da paz mundial ansiada pelos povos.
Em 2008 o sistema foi abalado pela crise mais grave de sua história desde a Grande Depressão de 1929. As consequências da crise são desiguais, mas não restam dúvidas de que a classe trabalhadora é sua principal vítima. Na Europa, os governos capitalistas querem desmantelar o chamado Estado de Bem Estar Social, nos EUA cerca de 8 milhões de postos de trabalho foram destruídos e no mundo mais de 30 milhões de trabalhadores foram acrescentados ao exército de desempregados. Os trabalhadores não estão passivos diante da ofensiva reacionária dos Estados capitalistas. O 1º de Maio deste ano vai refletir a luta em curso na Europa e em todo o mundo pela dignidade da classe trabalhadora, contra o capitalismo e por uma nova ordem política e econômica mundial.
Da Redação, com agências
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Pelos tempos a fora...
é necessário que grande parte dele seja ignorante e pobre. O conhecimento não só
amplia como multiplica nossos desejos (...) Portanto, o bem-estar e a felicidade de
todo o Estado ou Reino requerem que o conhecimento dos trabalhadores pobres fique
confinado dentro dos limites de suas ocupações e jamais se estenda (em relação às coisas visíveis) além do que se relaciona com a sua missão. Quanto mais um pastor, um arador ou qualquer outro camponês souber sobre o mundo e sobre o que é alheio ao seu trabalho e emprego, menos capaz será de suportar as fadigas e as dificuldades de sua vida com alegria e contentamento". (Mandeville apud Thompson, pg. 15/Costumes em Comum)
Mandeville escreveu isso no século XVIII e infelizmente esse continua sendo o pensamento de quase toda a classe dominante e de uma grande parte de nossos políticos. Educar pra que? O povo tem que é trabalhar, sem reclamar!
terça-feira, 20 de julho de 2010
No próximo mês de agosto, a população brasileira dos 5.565 municípios estará recebendo recenseadores e recenseadoras para o levantamento demográfico que desde o primeiro censo, em 1872, com 643(1) municípios, se mostrou como importante fonte de dados.
Sabemos do valor das informações coletadas para acompanhar o crescimento, a distribuição geográfica e a evolução das características da população e como elementos importantes para definição de políticas públicas em nível nacional, estadual e municipal, bem como para a tomada de decisões na iniciativa privada, incluindo, atualmente (para algumas), as ações de responsabilidade social.
Foi no censo de 1872 que, pela primeira vez, o conjunto da população era compreendido oficialmente em termos raciais, base para o estabelecimento de novas diferenças entre os grupos sociais. Diferenças ainda longe das concepções hierarquizantes e poligenistas que se acercariam da noção de raça, anos mais tarde.
Naquele momento, tratava-se de conhecer uma população de ex-escravizados que começava a exceder cada vez mais o número dos ainda escravizados. E esta diferença era possível na medida em que a instituição escravista tinha perdido a legitimidade devido à ação de grupos abolicionistas ou mesmo por meio das consequências da abolição do tráfico (1850) ou das leis posteriores que prometiam, apesar de gradual, a abolição da escravidão: a lei do ventre livre (1871), depois a lei dos sexagenários (1885), seguida da proibição dos açoites (1886) (2).
É muito importante anotar que a noção de “cor”, herdada do período colonial, não designava, preferencialmente, matrizes de pigmentação ou níveis diferentes de mestiçagem, mas buscava definir lugares sociais, nos quais etnia e condição social estavam indissociavelmente ligadas. (3)
O novo Movimento Negro, surgido nos anos 1970, enfrentou a falácia da “democracia racial” entendendo que a o quesito “cor” era determinante do lugar social da população negra. Esse conhecimento, sustentado por militantes e pensadores na área das ciências humanas e sociais (incluindo a economia e a estatística), levou a uma campanha, em nível nacional, para o censo de 1991: “Não deixe sua cor passar em branco”.
Se fizermos uma breve retrospectiva do quesito “raça” / “cor” nos censos do País, não é difícil compreender a necessidade dessa campanha por parte do Movimento Negro:
1 - o quesito “raça” foi pesquisado nos censos de 1872 e de 1890;
2 - foi suprimido em 1900 e 1920;
3 - o quesito retorna em 1940, sob o rótulo de “cor”;
4 - em 1970, o questionário não contemplou o quesito “cor”;
5 - em 1980, o quesito volta a aparecer;
6 - em 1991 o quesito “cor” está presente, incorporando a (nova) categoria “indígenas e amarelos”;
7 - o censo de 2000 admitiu “raça e cor” como sinônimos, compondo uma única categoria (“cor ou raça”). (4)
A força da campanha do Movimento Negro tinha ainda maior razão! Além da invisibilidade da população negra, pela falácia da “democracia racial”, o quesito “cor”, respondido apenas no Questionário Amostra, tangenciava uma população já impregnada pelo não lugar do ser negro, colocado sempre no lugar de 2ª classe!
“Não deixe sua cor passar em branco!” cobriu o censo de 1991 e foi reprisada no censo de 2000, com o objetivo de sensibilizar os negros e seus descendentes para assumirem sua identidade histórica insistentemente negada; ao mesmo tempo em que era um alerta para a manipulação da identidade étnico-racial dos negros brasileiros em virtude de uma miscigenação que se constitui num instrumento eficaz de embranquecimento do país por meio da instituição de uma hierarquia cromática e de fenótipos que têm na base o negro retinto e no topo o ‘‘branco da terra'', oferecendo aos intermediários o benefício simbólico de estarem mais próximos do ideal humano, o branco. (5)
Apesar de, neste novo censo de 2010, o quesito “cor ou raça” sair do Questionário da Amostra e passar a ser investigado também no Questionário Básico, cobrindo toda a população recenseada (6), ainda há um longo caminho da superação do racismo para que todos e todas respondam pela dignidade e pelo reforço da auto-estima de pertencerem a um grupo étnico que só tem feito contribuir eficiente e eficazmente para o desenvolvimento do País.
Ao contrário do que propõe as “assertivas” de exclusão, a identificação da população negra se faz necessária sempre e a cada vez para que se constate em números (como gosta o parâmetro científico) o racismo histórico que ainda está perpetrado sobre a população negra. Só depois que alcançarmos a liberdade de fato é que as anotações étnicas passarão a ser fatores que dizem respeito exclusivamente à cultura. Enquanto estivermos, como estamos hoje – após 122 anos da abolição da escravatura – vivendo uma abolição não conclusa, precisaremos reafirmar nossa etnia do ponto de vista político; econômico; habitacional; na área da saúde; na área da educação; nas condições de supressão da liberdade que não se dá apenas aos presidiários, mas a pais e mães que clamam por políticas para garantir que seus filhos e filhas possam crescer com dignidade e sem ameaças.
A proposta do IBGE de tirar a “fotografia” mais nítida o possível do Brasil, ainda está longe de ser alcançada!
E a luta do povo negro não termina! O racismo é tão implacável que, a cada etapa alcançada, um novo desafio se apresenta!
Para este ano, novamente o Movimento Negro está em campanha, em nível nacional! E, agora, é para que todos aqueles que são adeptos das Religiões de Matrizes Africanas respondam sem qualquer dissimulação: “Quem é de Axé diz que é!” (**)
O quesito “religião ou culto” continua no Questionário de Amostra e tem campo aberto para que o recenseador ou a recenseadora anote a “religião ou culto” declarado pelo cidadão, pela cidadã.
Tanto no quesito “cor ou raça” para todos (no Questionário Básico); quanto no quesito “religião ou culto” para alguns que responderão o Questionário Amostra, a população negra e seus descendentes estão conscientes de que suas palavras precisam ser firmes e que devem estar atentos para que a anotação seja feita sem qualquer margem de erro em relação ao que declarou.
Já se justificou essa omissão do quesito “cor” por um possível empenho do regime republicano brasileiro em apagar a memória da escravidão. Entretanto, parte da explicação pode vir do incômodo causado pela constatação de que nossa população era marcada e crescentemente mestiça, enquanto as teses explicativas do Brasil apontavam para os limites que essa realidade colocava à realização de um ideal de civilização e progresso. (7)
Não temos qualquer dúvida de que a resistência em tratar de raça-cor e em tudo o que a discussão implica – como políticas de reparações, com fundo para superação do racismo histórico – é a mesma que teremos de enfrentar no tratamento das Religiões de Matrizes Africanas. Não dissimular a declaração de adepto ou adepta das religiões de Axé, trazidas e preservadas como memória ancestral por aqueles e aquelas que resistiram à travessia e morte nos porões dos navios tumbeiros é dignificar a humanidade que por princípio e necessidade é diversa e assim deve permanecer.
A poligenia está superada! As evidências de que a humanidade surgiu no continente africano são cada vez em maior número e com rigor científico sempre mais acurado. O conceito de raça não tem o menor sentido, dizem nossos opositores, no afã de jamais ceder o lugar histórico de conforto a que estão acostumados! Enquanto não repararmos o estrago que o uso histórico do conceito fez a cidadãos e cidadãs que hoje são em mais de 50% da população, qualquer discussão conceitual será apenas a má retórica que tenta persuadir para continuar reinando.
Por isso,
Não vamos deixar nossa cor passar em branco!
E vamos dizer que somos de Axé!
“Quem é de Axé diz que é!”
_______
(1) REIS, Eustáquio; PIMENTEL, Márcia; ALVARENGA, Ana Isabel, Áreas mínimas comparáveis para os períodos intercensitários de 1872 a 2000. 2007. Disponível em
(2) CAMARGO, Alexandre de Paiva Rio. Mensuração racial e campo estatístico nos censos brasileiros (1872-1940): uma abordagem convergente. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Série Ciências Humanas. Belém, v. 4, n. 3, p. 361-385, set.- dez. 2009. Disponível em:
(3) MATTOS, Hebe Maria. Das cores do silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista, Brasil século XIX. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998. P. 98-99, apud CAMARGO, 2009, p. 7.
(4) IBGE. Anais do II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais. Pesquisas Históricas nas Instituições Estatísticas. CDDI/IBGE. 2006, p. 10
(5) CARNEIRO, Sueli. A miscigenação racial no Brasil. Correio Braziliense. Opinião. 2000. Disponível em:
(6) IBGE. Síntese das Etapas da Pesquisa. 2010. Disponível em:
(7) BOTELHO, Tarcisio R.. Censos e construção nacional no Brasil Imperial. Tempo Soc., São Paulo, v. 17, n. 1, June 2005 . Disponível em
(**) Iniciativa do Coletivo de Entidades Negras (CEN), com apoio irrestrito de Instituições de Religiões de Matrizes Africanas e do MN.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Vergonha

Em 17 de abril de 1996, há 14 anos e dois dias atrás, nosso país presenciou mais um, entre tantos, episódios de violência e intolerância contra aqueles que lutam, contra a população menos favorecida economicamente. Infelizmente, essa intlorância continua e a tentativa de criminalizar os movimentos sociais é o rostoda intolerância e a violência. Aqueles que deveriam proteger todos os cidadãos, "protegem" apenas uma pequena minoria que detém o capital econômico, passando por cima da imensa maioria que sofre e luta para tentar conquistar seus direitos mínimos de cidadania, garantidos pela CF 88 e por inúmeros tratados internacionais, mas não cumpridos, por irem contra os interesses econômicos daquela mesma minoria. Para que não seja esquecido:
1996 - Crime e impunidade no Pará
17/04/2008 - 06:00 | Enviado por: Lucyanne Mano
O país das chacinas de Carandiru (1992), Candelária (1993), Vigário Geral (1993), e Corumbiara (1995), viu-se diante de um novo massacre. Determinados a desobstruir a rodovia PA-150, que liga Belém ao sul do Pará, ocupada por um manifesto dos sem-terra em Eldorado dos Carajás, a 650 km da capital do estado, cerca de 150 policiais militares, liderados pelo coronel Pantoja de Oliveira, mataram 19 pessoas, em 20 minutos de ação.
Trabalhadores rurais protestavam contra o atraso na desapropriação de terras para fins de reforma agrária, quando foram surpreendidos pelo cerco policial. Um grupo veio pelo lado de Marabá e outro pelo lado de Parauapebas. Segundo testemunhas, policiais teriam chegado atirando, dando início ao confronto. A versão policial alegou que a operação começou com bombas de efeito moral, e somente após serem rechaçados com armas de fogo os militares responderam disparando contra os manifestantes. A tentativa fracassada de resistir à investida policial, deu lugar à barbárie com sucessivas execuções.
Tiros na testa e marcas de pólvora no rosto indicavam que as mortes foram à queima-roupa. Entre os mortos havia uma criança de três anos. Pelo menos 50 pessoas foram feridas. Nenhum policial.
Na noite do massacre o governador do Pará, Almir Gabriel, afastou o coronel Pantoja. O ministro da Agricultura, Andrade Vieira, pediu demissão da pasta. Na semana seguinte, o Governo Federal confirmou a criação do Ministério da Reforma Agrária. Foi indicado Raul Jungmann, então presidente do Instituto Brasileiro de Agricultura e Meio Ambiente, para o cargo de ministro.
Passados doze anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, o crime continua impune.
Um território de tensão e insegurança
Os impasses sobre a questão da reforma agrária na região se mantém até os dias de hoje. Parauapebas, vizinha a Eldorado dos Carajás, vive clima de insegurança e tensão. Garimpeiros e integrantes do Movimento dos Sem-Terra estão de prontidão em acampamentos, e ameaçam invadir a Estrada de Ferro Carajás, usada pela Vale para transportar minério de ferro, combustíveis e passageiros.
Eles marcaram para hoje uma manifestação em protesto em memória às vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. O governo do Pará direcionou 500 policiais para garantir a ordem no local.
Fonte:http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php?catid=186&blogid=57&archive=2008-04
segunda-feira, 17 de maio de 2010
152 Anos de Santa Maria
Pra encerrar, uma poesia de meu grande amigo Guilherme Passamani:
Meu monumento estradas e trilhos.
Minha saudade este tempo que vai,
este cerrito, estes montes me guardam
e, ainda aguardam se um dia eu voltar pra ti!
Santa Maria me guarda estes montes
que em tuas fontes há som de oração
Santa Maria da Boca do Monte
Pra ti meu canto acalanto e canção
terça-feira, 20 de abril de 2010
Nei Lisboa, tudo de bom...

Acompanhe: http://www.neilisboa.com.br/
Biografia
Nei Lisboa é gaúcho de Caxias do Sul e reside emPorto Alegre desde os seis anos de idade, tendo vivido largas temporadas em outras capitais brasileiras e também nos EUA, onde concluiu o segundo grau. Mas sua ligação mais forte é mesmo com a capital gaúcha, onde mantém um público fiel, e mais especificamente o bairro Bom Fim, onde cresceu e morou por mais de vinte anos. É irmão mais jovem – entre sete – de Luiz Eurico Tejera Lisbôa, primeiro desaparecido político brasileiro cujo corpo pôde ser localizado, no final dos anos 70.
Nei tem nove discos lançados ao longo de mais de três décadas, além de dois livros: uma coletânea de crônicas e um romance, este editado no Brasil e na França. A paixão pela música popular surge na infância – aos oito anos é aluno do Liceu Musical Palestrina – e se consolida ao ingressar, em 1977, no curso (inconcluso) de Composição e Regência da UFRGS.
Carreira artística
Sua carreira artística inicia em 1979, com os espetáculos "Lado a lado" e "Deu pra ti anos 70", em parceria constante com o guitarrista Augusto Licks.
O primeiro disco, "Pra viajar no cosmos não precisa gasolina", é uma produção independente de 1983. Um ano depois, em 1984, por intermédio de uma gravadora regional (ACIT), ele lança seu segundo disco, “Noves fora”. Ao final de 1986, Nei assina contrato com a gravadora EMI-Odeon, que resultaria em dois discos: “Carecas da Jamaica”, de 1987, pelo qual recebe o Prêmio Sharp de revelação pop/rock; e “Hein?!”, lançado em 1988, obra que também marca sua trajetória de forma indelével. (Ambos os discos foram relançados em CD pela EMI, em 1999.) Em 1990, parte para sua primeira incursão na literatura, o romance “Um morto pula a janela”, lançado em 1991 pela editora Artes & Ofícios, e relançado pela editora Sulina em 1999, com uma tradução francesa editada pela L’Harmattan em 2000.
Em 1993, depois de algumas temporadas entre Porto Alegre e Montevidéu, Nei grava ao vivo no Theatro São Pedro o disco Amém, reunindo canções próprias e clássicos da música popular uruguaia, acompanhado por nove músicos de ambos os países. É seu primeiro trabalho a sair simultâneamente em vinil e CD, distribuído pela Som Livre. (O CD é relançado em 1999, pela Paradoxx.)
Nei volta ao disco em 1998, e excursiona pelo sul do Brasil embalado pelo sucesso de “Hi-fi”, um apanhado de clássicos da música pop e do repertório folk que influenciou o seu início de carreira nos anos 70. Lançado pela Paradoxx e gravado também ao vivo no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, o CD provoca uma onda de relançamentos dos trabalhos anteriores.
Em 2000, Nei retoma a composição, e “Cena beatnik”, seu primeiro trabalho em estúdio depois de mais de uma década, é lançado em maio de 2001 pelo selo Antídoto, da gravadora ACIT. Em 2002, bandas e artistas gaúchos unem-se em um CD tributo, intitulado “Baladas do Bom Fim” e lançado pelo selo Orbeat, com releituras de quatorze músicas do compositor.
As músicas de Nei participam também da trilha de vários filmes da cinematografia gaúcha, como “Deu pra ti anos 70”, “Verdes anos” e “Houve uma vez dois verões”. Em “Meu tio matou um cara”, de Jorge Furtado, um dos principais temas é a canção “Pra te lembrar”, na interpretação de Caetano Veloso, música que também faz parte do CD "Relógios de Sol" – lançado em julho de 2003 pelo selo Antídoto.
Em 2005, a cantora carioca Simone Capeto lança o álbum “Bom futuro”, interpretando exclusivamente canções de Nei. Também é interpretado por Cida Moreira, Ná Ozzetti e por Zélia Duncan, que inclui a canção “Telhados de Paris” em seu mais recente CD (“Pelo prazer do gesto”, 2009).
O mais recente CD de Nei, “Translucidação”, lançado ao final de 2006, é uma produção independente distribuída pela ACIT e em boa parte disponibilizada pelo artista em seu site oficial.
Em 2007, Nei volta à literatura, reunindo crônicas suas publicadas ao longo da década na imprensa gaúcha sob o título “É Foch!”, lançamento da editora L&PM, indicado ao Prêmio Açorianos de Literatura no ano seguinte.
Celebrando em 2009 trinta anos de carreira, Nei revisita no palco o repertório de todas essas diferentes épocas, percorrendo o sul do país, e prepara para o segundo semestre de 2010 a circulação desse espetáculo por nove capitais brasileiras, projeto contemplado pelo Programa Petrobras Cultural.
Discografia
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Adeus ao Gran-Mestre Lévi-Strauss




Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss
Do UOL Notícias*
Em São Paulo
O etnólogo e antropólogo estruturalista belga Claude Lévi-Strauss morreu na noite de sábado para domingo (1º) aos 100 anos, de acordo com um porta-voz da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, na França. As informações são do jornal francês "Le Monde".
Nascido em Bruxelas, na Bélgica, Lévi-Strauss foi um dos grandes pensadores do século 20. Ele, que completaria 101 anos em 28 de novembro, tornou-se conhecido na França, onde seus estudos foram fundamentais para o desenvolvimento da antropologia. Filho de um artista e membro de uma família judia francesa intelectual, estudou na Universidade de Paris.
De início, cursou leis e filosofia, mas descobriu na etnologia sua verdadeira paixão. No Brasil, lecionou sociologia na recém-fundada Universidade de São Paulo, de 1935 a 1939, e fez várias expedições ao Brasil central. É o registro dessas viagens, publicado no livro "Tristes Trópicos" (1955) que lhe trará a fama. Nessa obra ele conta como sua vocação de antropólogo nasceu durante as viagens ao interior do Brasil.
Exilado nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), foi professor nesse país nos anos 1950. Na França, continuou sua carreira acadêmica, fazendo parte do círculo intelectual de Jean Paul Sartre (1905-1980), e assumiu, em 1959, o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
O estudioso jamais aceitou a visão histórica da civilização ocidental como privilegiada e única. Sempre enfatizou que a mente selvagem é igual à civilizada. Sua crença de que as características humanas são as mesmas em toda parte surgiu nas incontáveis viagens que fez ao Brasil e nas visitas a tribos de indígenas das Américas do Sul e do Norte.
O antropólogo passou mais da metade de sua vida estudando o comportamento dos índios americanos. O método usado por ele para estudar a organização social dessas tribos chama-se estruturalismo. "Estruturalismo", diz Lévi-Strauss, "é a procura por harmonias inovadoras".
Suas pesquisas, iniciadas a partir de premissas linguísticas, deram à ciência contemporânea a teoria de como a mente humana trabalha. O indivíduo passa do estado natural ao cultural enquanto usa a linguagem, aprende a cozinhar, produz objetos etc. Nessa passagem, o homem obedece a leis que ele não criou: elas pertencem a um mecanismo do cérebro. Escreveu, em "O Pensamento Selvagem", que a língua é uma razão que tem suas razões - e estas são desconhecidas pelo ser humano.
Lévi-Strauss não via o ser humano como um habitante privilegiado do universo, mas como uma espécie passageira que deixará apenas alguns traços de sua existência quando estiver extinta.
Membro da Academia de Ciências Francesa (1973), integrou também muitas academias científicas, em especial européias e norte-americanas. Também é doutor honoris causa das universidades de Bruxelas, Oxford, Chicago, Stirling, Upsala, Montréal, México, Québec, Zaïre, Visva Bharati, Yale, Harvard, Johns Hopkins e Columbia, entre outras.
Aos 97 anos, em 2005, recebeu o 17o Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião: "Fico emocionado porque estou na idade em que não se recebem nem se dão prêmios, pois sou muito velho para fazer parte de um corpo de jurados. Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente".
Selecionei uma citação, um trecho que me marcou muito, da grande obra prima, literatura antropológica com ênfase poética, Tristes Trópicos:
"As arestas vão se arredondando, pedaços inteiros desabam; os tempos e os lugares se chocam, se justapõem ou se invertem, como os sedimentos deslocados pelos tremores de uma crosta envelhecida. Determinado pormenor, ínfimo e antigo, prorrompe como um pico, enquanto camadas inteiras de meu passado afundam sem deixar rastro". (Claude Lévi-Strauss, Tristes Trópicos)
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Patrick Swayse - 1952/Eternamente


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