queridos pet's

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sexta-feira, 14 de maio de 2010

sem palavras


Foto de João Zinclar. Ilustra o relatório da Comissão Pastoral da Terra sobre conflitos agrários e violência no campo em 2009.

Dica de filme

Esses dias vi no Space um filme excelente, que discute a questão da água diante do aquecimento global e coloca em cheque a contradição entre o interesse da empresas privadas (economia) que tem o apoio velado do governo e o interesse pelo bem estar da população. Uma região da Alemanha passa por uma terrível onda de calor e uma cientista, com base em seus relatórios tenta enfrentar a todos para evitar uma tragédia. O filme é muito bom, mas dificílimo de achar. No canal, passou com o nome "Onda de Calor (Heat Wave)", mas depois de horas de pesquisas no google, na qual não encontrava o dito cujo do filme, nem em pesquisas em português nem em inglês, resolvi traduzir o título pro alemão (e eu não entendo naaaaadaaaaa de alemão) e cheguei a palavra "Hitze" e com essa, consegui achar sites (um em inglês com pouca informação, e outro em alemão, que só reconheci pelas fotos) que trouxeram enfim, o nome original do filme: "Die Hitzewelle - Keiner kann entkommen". É, esses nomes alemães são enormes. E pelo jeito esse filme é daqueles produzidos pra TV. Mas como é o bom cinema alemão, é de excelente qualidade.
Enfim, segue os sites para quem quer mais informações e quer se arriscar no alemão:

http://www.sat1.de/filme_serien/filme/content/28085/

http://www.kino.de/kinofilm/die-hitzewelle-keiner-kann-entkommen/108480.html

http://www.imdb.de/title/tt1179270/combined

quinta-feira, 13 de maio de 2010

O Mágico de Oz

Estes dias tive o imenso prazer de assistir, no TCM, O Mágico de Oz, musical de 1939, possivelmente um dos primeiros filmes coloridos já feito. Perfeito, não teria outra palavra pra descrever. Quem puder, que assista e deixe seu coração sonhar... qualquer um de nós podemos ir além do arco-íris.

mais uma vez...

Hoje (quarta-feira) eu não havia postado nada, mas enfim, resolvi falar... a única coisa que me veio na cabeça foi justamente aquilo que eu não queria estar escrevendo aqui.
Mais uma vez, hoje, aqui em Teutônia, um marido matou a jovem esposa, além de ter colocado uma arma na cabeça da filha do casal, de 10 anos, que foi salva graças a um vizinho que acabou baleado, e baleado o sogro e a sogra, um casal de idosos. O motivo do assassinato: a esposa pediu a separação.
Há poucos dias atrás, vimos o casal de nordestinos migrantes, jovens, no qual o marido matou a esposa e despachou numa mala, no rio. O motivo do assassinato: a esposa pediu a separação.
Há pouco tempo, um jovem rapaz entrou no salão de beleza e matou a ex-esposa, que já havia denunciado várias ameaças que o ex-companheiro havia lhe feito e nenhuma providência foi tomada. Por que ele a matou? Ela se separou dele.
No início do blog, eu narrei o caso que aconteceu em Teutônia, do homem que matou sua ex mulher na parada de ônibus. Por que? Ela se separou dele.
Ano passado a mídia armou o circo, com direito a vendedor de pipocas, para acompanhar o sequestro da jovem Eloá, que acabou morta nas mãos do ex namorado. Por que ele a matou? O fim do namoro.
São casos e mais casos que não param de acontecer, fora os que não ficamos sabendo; fora os que tentam atingir de outras formas, como o mecânico que se incendiou juntos com os três filhos pequenos, matando todos pra dar uma "lição" na sua mulher, como vimos em Porto Alegre semana passada. Não dá pra ficar parada diante de tal barbaridade. A violência contra a mulher se torna algo banal e cada caso desses só dá vontade de gritar: AAAAHHHHAHHHHHAHAHHHAHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHAHAHHHHHHHHHHAHHHAHHHAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHAHAAAAAAAAAHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHAAAA
Onde isso vai parar? É preciso reagir e já!!!! Até quando vamos ver essa barbárie, onde o direito de separação se torna uma ameaça a vida? Eu fico muito triste, cada caso desses é um pedaço em mim que morre. Não sei mais o que dizer e nem o que pensar. Lei Maria da Penha, aplicada na íntegra, já

terça-feira, 11 de maio de 2010

As migrações no Brasil

As migrações no Brasil

Por Luiz Bassegio e Luciane Udovic*

O Brasil, com cerca de 180 milhões de habitantes, tem 81% de sua população vivendo no mundo urbano. As grandes capitais possuem cinturões de pobres e de desempregados, sendo os jovens os mais atingidos. Na sua maioria, são migrantes e filhos de migrantes provenientes do mundo rural, nas décadas passadas, vítimas de um modelo de desenvolvimento centralizador que concentrou em poucas mãos as terras, o capital e as indústrias. Temos também a migração temporária para o corte da cana e colheita de laranja, café e algodão, e as migrações dos países próximos ao Brasil como Bolívia, Paraguai e Peru.

Por outro lado, há quase três milhões de brasileiros que emigraram para o exterior, sendo um milhão nos Estados Unidos, trezentos mil no Paraguai e Japão, além de dezenas de milhares na Espanha, Portugal, Itália, França e Inglaterra.

A causa profunda é uma globalização que não distribui riquezas, que globaliza o acesso livre aos mercados, mas não é solidária; elimina barreiras comerciais, mas impede a circulação das pessoas, defende o livre mercado como um direito, mas dificulta ainda mais o acesso aos direitos básicos; globaliza-se a miséria, mas não o progresso; a dependência e não a soberania, a competividade e não a solidariedade (Manifesto do Grito dos Excluídos - 2002).

A expansão e a crescente mecanização do setor canavieiro têm gerado maior exploração da força de trabalho. Principalmente em São Paulo, a maior parte do corte da cana é realizada por trabalhadores migrantes, principalmente do Nordeste e do Vale do Jequitinhonha em Minas Gerais. A Pastoral dos Migrantes estima que cerca de 200 mil trabalhadores migrantes se deslocam em São Paulo no período da safra de cana, laranja e café.

“Nadie es ilegal en donde quiere que viva”

Também explorados são os imigrantes latinoamericanos, sobretudo os bolivianos que trabalham no setor da costura em regiões centrais da cidade de São Paulo. São jovens aliciados diretamente da zona rural da Bolívia para a produção de roupas que são vendidas para todo o Brasil. Na capital paulista, há centenas de milhares deles, dos quais 40% em situação irregular. Muitas vezes acabam como escravos em oficinas de costuras na região central da capital, como Brás, Bom Retiro, Mooca, Vila Maria e Pari. A origem desta situação tem a ver com a realidade destes países dos quais muitos fogem em busca de melhores condições de vida e trabalho.

São muitos os relatos de pessoas recrutadas na Bolívia com anúncios de rádio e jornais enganosos que prometem emprego, moradia e salário. Chegando aqui a realidade é outra. Os primeiros seis meses de trabalho são para pagar o custo da viagem ao intermediário que os trouxe (gato ou coiote). Muitas vezes os passaportes são retidos e há ameaça de denúncia à polícia caso o imigrante não cumpra as exigências do intermediário. Passados 3 meses, o imigrante tem seu visto de turista vencido e torna-se um “indocumentado”.

O mais grave de tudo é a impossibilidade de exigir direitos, seja pela dificuldade da língua, ou pelo fato de estarem indocumentados e submetidos a uma lei de estrangeiros que é autoritária, xenofóbica, restritiva e ainda uma fábrica que produz indocumentados.

Não costumam delatar os patrões. E sequer imaginam estar sendo explorados. Não é incomum ouvi-los dizer que preferem trabalhar no Brasil a trabalhar na Bolívia. Famílias inteiras, em condição ilegal, aceitam trabalhar e viver em oficinas de costura. Preferem trabalhar até 17 horas por dia a ficar desempregados em seu país.

A Nova Lei dos Estrangeiros

O anteprojeto da Nova Lei dos Estrangeiros, que tramita no Congresso Nacional, é extremamente seletivo do ponto de vista econômico e não resolve a situação dos trabalhadores imigrantes indocumentados. Para isto, basta enumerar as diversas categorias privilegiadas que são mencionadas no artigo 11 e que poderão vir ao Brasil: estudo (ensino fundamental, médio, curso de graduação e pós graduação); artista e desportista; administrador, gerente, diretor, executivo de sociedade civil ou comercial, grupo ou aglomerado econômico; correspondente de jornal, revista, rádio, televisão ou agência estrangeira de notícias; ministro de confissão religiosa voluntário; dirigente de organização não governamental ou de pesquisa; marítimo ou técnico embarcado em navio de carga, turismo ou pesca.

Realidade planetária, o fenômeno migratório apresenta-se como contraditório e complexo. Indesejados e “necessários” os migrantes fazem parte da lógica da mobilidade forçada, imposta pelo capital, que exclui, descarta, atrai, inclui precariamente, explora, massifica e reprime.

Por estas e outras razões, queremos uma integração que contemple os aspectos sócio-econômicos, políticos, e culturais. Neste sentido, o Mercosul não pode ser apenas um tratado econômico e comercial. Reivindicamos também uma nova Lei dos Estrangeiros: a atual é ultrapassada, xenofóbica e com resquícios da ditadura militar. É necessária uma nova lei, uma anistia geral, o direito à residência, direito de ir e vir na região (não só para o capital financeiro) e ter os direitos reconhecidos em todos os países da região.

Além disso, a crescente interdependência, causada pela dinâmica atual da globalização, começa a evidenciar a conveniência, e a necessidade, de definir o que já passou a se denominar de “cidadania universal”. Cada vez mais emerge a necessidade de se reconhecer a todo ser humano um direito explícito de “cidadania universal”, pelo simples e fundamental fato de ser membro da família humana, com direito a ocupar o seu espaço vital e a contribuir com sua presença e atuação.

O fenômeno migratório aponta para a necessidade de repensar o mundo não mais baseado na competitividade, mas na solidariedade; não na concentração, mas na repartição; não no fechamento das fronteiras, mas na cidadania universal. Um mundo baseado não no consumo desenfreado, mas numa sociedade sustentável, onde haja lugar e vida digna para todos e todas.

* Luiz Bassegio e Luciane Udovic são da Secretaria do Grito dos/as Excluídos/as Continental

Piadinha (mas é verdade)

Exercícios práticos para treinamento de futuros papais e mamães.O treinamento é grátis e deve ser feito por aqueles que
pretendem ter filhos.
(vai lendo... rs....)

Vestindo a roupinha:
Compre um polvo vivo de bom tamanho e vá colocando, sem machucar a criatura, nesta ordem: fralda, blusinha, calça,
macaquinho, sapatinhos, casaquinho e touquinha. Não é permitido amarrar nenhum dos membros.
Tempo de execução da tarefa: uma manhã inteira.
(imaginei a carinha do polvo com touquinha... rsrsrsrsrsrsrs....)
Comendo sopinha:
Faça um buraquinho num melão, pendure-o no teto com um barbante comprido e balance-o vigorosamente. Agora tente enfiar a
colherinha com a sopa no buraquinho. Continue até ter enfiado pelo menos metade da sopa. Despeje a outra metade no seu
colo. Não é permitido gritar. Limpe o melão, limpe o chão, limpe as paredes, limpe o teto, limpe os móveis à volta. Vá
tomar um banho.

Tempo para execução da tarefa: uma tarde inteira.
(hahahahahahahahaha... não é permitido gritar... hahahahahahahahaha)
Passeando com a criança:
Vá para a pracinha mais próxima. Agache-se e pegue uma bituca de cigarro. Atire-a fora, dizendo com firmeza: não!
Agache-se e pegue um palito de picolé sujo. Atire-o fora, dizendo com firmeza: não! Agache-se e pegue um papel de bala.
Atire fora o papel de bala, dizendo com firmeza: não! Agache-se e pegue uma barata morta. Atire fora a barata morta,
dizendo com firmeza: não! Faça isso com todas as porcarias que encontrar no chão da pracinha.
Tempo para execução: o dia inteiro.

Passando a noite com o bebê:
Pegue um saco grande de arroz e passeie pela casa com ele no colo das 20 às 21h. Deite o saco de arroz. Às 22h pegue
novamente o saco e passeie com ele até às 23h. Deite o saco e vá se deitar. Levante à 1h30 e passeie com o saco até às
2h. Deite o saco e você. Levante às 2h15 e vá ver a sessão corujão porque não consegue mais pegar no sono. Deite às 3h.
Levante às 3h30, pegue o saco de arroz e passeie com ele até as 4h15. Deitem-se os dois (cuidado para não usar o saco de
travesseiro). Levante às 6:00 e pratique o exercício de alimentar o melão. Nao é permitido chorar.
(hahahahahahaha... alimentar o melão às 6 da manhã... hahahahahaha... sem chorar!!!!)
Repita tudo pelo menos cinco vezes.
Repita a palavra não a cada 10 minutos, fazendo o gesto com o dedinho.
Gaste uma pequena parcela do seu orçamento (90%) com leite em pó, fraldas, brinquedos, roupinhas.

Passe semanas a fio sem transar, sem ir ao cinema, sem beber, sem sair com amigos.
Não é permitido enlouquecer!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Neruda pra uma segunda-feira com chuva...

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda


Ps:Não estou triste. Achei bonito o poema. Estou com saudades. Achei bonito o poema.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Campanha contra o Muro da Vergonha

Apoiando essa importante e inteligente campanha contra esse vergonhoso muro que querem construir ao redor da favela da Maré.

quinta-feira, 6 de maio de 2010











E HOJE EU VOU ESTAR LÁÁÁÁ! FELICIDADE DE ESTREIANTE, ANSIEDADE E MEDO, DEVIDO A MÁ FASE. POR FAVOR, MEU TIME, NÃO ME DECEPCIONE!!!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Almoçando com o Leica 1: estudo etnográfico sobre um grupo de fotógrafos amadores de Porto Alegre

Com todo carinho, minha dissertação de mestrado, a quem tiver interesse/tempo de ler. Defendida em 17/04/08, sob orientação da Prof. Dra. Maria Eunice Maciel, com colaboração do Prod.Dr. Caleb Faria Alves.


Almoçando com o Leica 1: estudo etnográfico sobre um grupo de fotógrafos amadores de Porto Alegre


Resumo: Esta dissertação investiga um grupo de fotógrafos amadores chamado Leica 1. A convivência no grupo faz com que seus encontros sejam motivados não só pela fotografia, mas também pela amizade que os envolve. Diante disso, desenvolve-se uma sociabilidade na qual se compartilha dos mais diversos assuntos cotidianos. A fotografia é, muitas vezes, um suporte e mesmo motivadora da memória. O grupo Leica 1 fotografa, registra, lembra, conta e faz a história, sendo arte ou sendo documento ou sendo uma arte-documento. Por isso, este é um trabalho construído pela convivência, pelas lembranças, pelas fotografias e pelas múltiplas vozes que são testemunhas e agentes da história da cidade de Porto Alegre, da história da fotografia e de muitas outras histórias.


Link para acessar o texto completo: http://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/13382

terça-feira, 4 de maio de 2010

Shakespeare, rápidas e rasteiras


Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade e o zelo ditam.

Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

 Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática.

A realidade é que não te amo com meus olhos que descobrem em ti mil falhas, mas com meu coração, que ama o que os olhos desprezam

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Licença Ambiental

Artigo interessante recebido por e-mail.

Dá licença, mermão!'

Artigo do leitor Cristiano Vilardo Nunes Guimarães


Hoje em dia falar mal do licenciamento ambiental é mais comum que enchente no Rio de Janeiro. Diz-se que é um entrave ao progresso, um ninho de ambientalistas radicais, trincheira dos "salvem-as-baleias" , enfim: é o supra-sumo da burocracia brasileira. Eita cartório difícil esse do IBAMA!

No entanto, é preciso colocar alguns pingos nos is de "licenciamento" . Para início de conversa, ao contrário de outros licenciamentos corriqueiros na nossa vida, o licenciamento ambiental não é um ato cartorial, de simples conferência de documentação. Na realidade, o licenciamento ambiental foi a forma encontrada no Brasil para implementar a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) quando esta se difundiu pelo mundo ao longo da década de 1970.

Hoje, a Avaliação de Impacto Ambiental é adotada formalmente em mais de uma centena de países, incluindo todas as economias desenvolvidas e a grande maioria dos países "em desenvolvimento" . Muito além de uma burocracia, o papel da AIA é o de garantir a adequada consideração da variável ambiental nas propostas de desenvolvimento, evitando que decisões sejam tomadas sem o dimensionamento das suas consequências ambientais. O seu principal instrumento é o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) que, muito mais do que uma exigência do órgão licenciador, deveria ser um instrumento de auxílio ao planejamento de projetos mais amigáveis ao meio ambiente, identificando e avaliando os impactos e riscos do empreendimento e propondo as medidas de gestão ambiental a serem adotadas para minimizar os prejuízos ambientais.

Acontece que, infelizmente, essa perspectiva cartorial - do "tirar a licença" - é a que predomina entre o empresariado nacional e obviamente encontra bastante eco na cobertura da imprensa sobre o licenciamento ambiental. Os estudos ambientais muitas vezes são colagens de outros anteriores, realizadas por uma consultora sem possibilidade alguma de interferência no projeto, a qual foi escolhida porque ofereceu ao contratante o menor preço...

Voltando aos pingos no "is", vamos pensar o que é um licenciamento ambiental "bom"? Em uma primeira tentativa de aproximação, alguém poderia dizer que é aquele onde a avaliação dos impactos e riscos ambientais de determinado empreendimento pôde ser realizada na profundidade adequada, permitindo a proposição de mecanismos adequados de mitigação, compensação e monitoramento, e utilizando para isso o menor tempo possível ao menor custo global possível. Colou? Muito bem, agora, como se operacionaliza isso?

Não parece muito difícil... E se colocássemos profissionais qualificados, em quantidade suficiente, para analisar esses estudos? Hummm... E se esses profissionais, além de bem formados, fossem capacitados para avaliar os impactos de diferentes empreendimentos? Além disso, e se esse pessoal fosse adquirindo cada vez mais experiência no licenciamento, ganhando confiança para propor soluções mais eficientes e eficazes?

Pois então. Parece simples, não? Mas esqueceram de um detalhe: para isso dar certo, esse pessoal precisa querer trabalhar com licenciamento! E esse pessoal só vai querer trabalhar com licenciamento na medida em que esse trabalho for valorizado de acordo com a importância e responsabilidade nele embutidas!

A vida como ela é: no concurso de 2002, o primeiro da história do IBAMA, entraram cerca de 60 analistas de nível superior para trabalhar na Diretoria de Licenciamento Ambiental, em Brasília. Em sua maioria, profissionais qualificados, muitos com mestrado ou doutorado, que vieram para a sede do IBAMA vindos de diversas partes do Brasil. Sabem quantos destes analistas trabalham hoje na DILIC? Apenas um. Definitivamente, analista experiente no licenciamento é espécie em extinção.

A razão da evasão? Óbvia. A clara incompatibilidade entre a responsabilidade envolvida no processo de licenciamento ambiental e a desvalorização do servidor público dedicado a essa função. Por desvalorização englobamos uma série de questões que passam pelas condições adequadas de trabalho (computadores, capacitação, espaço de trabalho, bancos de dados, suporte jurídico etc.) e chegam, inexoravelmente, à questão salarial.

O analista ambiental, não só do IBAMA, mas também do ICMBio e do Ministério do Meio Ambiente, hoje está submetido a uma proto-carreira na qual o patamar salarial do nível mais alto disponível (final de carreira) é inferior ao nível salarial de entrada da carreira de Especialista em Recursos Hídricos/Geoprocessa mento da Agência Nacional de Águas, também vinculada ao MMA e com atribuições muito similares de regulação, controle, fiscalização e inspeção. E durma-se com um barulho desses...

Por conta dessa desvalorização, o trabalho no licenciamento ambiental no IBAMA tem se tornado um paradeiro temporário para o analista ambiental, mero compasso de espera enquanto se prepara para uma outra oportunidade que ofereça melhores condições de trabalho e de salário. Nesse cenário tenebroso, o tempo médio de permanência do profissional na Diretoria de Licenciamento Ambiental é de apenas 18 meses. Ora bolas! Como desenvolver excelência técnica, aprimorar e padronizar procedimentos, melhorar termos de referência com uma rotatividade dessas?

E é nesse contexto que chega o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), com diversos projetos de infraestrutura pelo Brasil adentro, demandando licenciamentos em prazos exíguos e jogando faísca nesse barril de pólvora que é o licenciamento ambiental federal. Não dá para dar certo. Qual a solução? Fortalecimento e valorização do licenciamento ambiental, para alcançar maior eficiência e eficácia no processo? Ilusão...

O que se viu nos últimos anos foi uma sucessão de "Destrava IBAMA", "Agiliza IBAMA", "Desocupa-a- moita IBAMA": pseudo-pacotes de medidas com finalidade puramente midiática e de nenhuma repercussão prática no dia a dia do licenciamento ambiental. Que, por sinal, continua sem implementar seu sistema informatizado de licenciamento - o SISLIC -, que já foi "lançado" oficialmente por uns 2 ou 3 presidentes do IBAMA e permanece empacado, sem uso.

São sintomas de que a própria política ambiental conduzida pelo governo encara o licenciamento numa perspectiva cartorial, de "carimbador- maluco". Aliás, instituiu-se no IBAMA o rodízio de diretores de Licenciamento: é um a cada hidrelétrica polêmica. Acabou seu turno, muito obrigado, próximo da fila!

Em síntese: quer licenciamento ambiental ágil e eficaz? Valorize o analista ambiental. Dê-lhe um salário compatível com o desafio de uma regulação de excelência. Forneça capacitação continuada e estimule o aprofundamento dos estudos em pós-graduação. Disponibilize modernos recursos de sistemas de informação para otimizar seu trabalho. Mantenha o profissional por um longo tempo na casa para que seu aprendizado seja incorporado pela instituição. Sem isso, dá licença, "mermão"!


Cristiano Vilardo Nunes Guimarães é analista ambiental do Ibama



domingo, 2 de maio de 2010

domingo...

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio algremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.

Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo, desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

António Gedeão, Novos Poemas Póstumos, 1990(in Poesia Completa, Lisboa, Edições João Sá da Costa, 2a. Ed., 1997, p. 188).


Poema que aconteceu

Nenhum desejo neste domingo

nenhum problema nesta vida

o mundo parou de repente

os homens ficaram calados

domingo sem fim nem começo.

A mão que escreve este poema

não sabe o que está escrevendo

mas é possível que se soubesse

nem ligasse.

Carlos Drummond de Andrad

sábado, 1 de maio de 2010

Os bóias-frias... "Homenagem" ao dia do Trabalhador...

Ps: Ler ao som de Elis (vídeo abaixo)
Por ironia, coloco hoje dia 01 de Maio, feriado do Dia do Trabalhador, este relato de José Pedro Bon, bóia-fria do Oeste do Paraná, levado pelo "gato" para trabalhar numa fazenda da café em Mina Gerais (todos os direitos trabalhistas e humanos são desrespeitados e vemos a "escravidão moderna" se formando nas dívidas inexistente na qual o trabalhador, além de não receber, fica devendo ao fazendeiro):

Fui para Minas Gerais, pertinho de Araquari colhe café por causa da crise aqui em
São José, tá dficil, mantê a casa porque tá difícil. Fui para Minas por intermédio de
um homem chamado Celso. Esse homem ganhou muito dinheiro contratando nóis
pra trabalha lá. Fomo até lá por intermédio da Prefeitura. O prefeito pagou a
viagem. Eu não sei qual foi a intenção do prefeito pagar a nossa passagem de ida,
diz ele que pagou a passagem porque aqui em São José não tinha serviço, quis dar
uma mão para o pessoal a manter a família em casa. Quem levou colchão levou,
quem não levou dormia em cima de um cobertorzinho, pois ficamo olojados em
baraco em média sete pessoa cada quarto. Nóis era pra receber a cada final de meis.
Eu tirava em média uns seis, sete saquinho (40 kg) por dia. Nóis pagava trêis real
por dia de bóia: café, armoço e janta. Eu fiquei só 30 dias lá coliendo café, porque
nóis tratemo um preço aqui e quando chegamo lá o preço era outro. Ficou
combinado que do café pequeno seria pago trêis real o saquinho e o grande quatro
real. No café grande é mais dficil colhe, pois nóis tinha que subir com uma escada,
pois o pé de café chegava a ter quatro metros de altura. Quando chegamo lá ele
pagou um e cinqüenta pelo café pequeno e três o café grande. No final do meis deu
muita confusão porque o pessoal ficou discutindo com o valor do preço do café.
Eles não queriam pagar os dia que nóis trabalhemo, por que nóis queria vir pra
casa, e descontando a bóia e o pessoal foi muito sem roupa e o homem vendia
roupa na casa, e muitos ficaram individados. Todo mundo teve que compra
camiseta de manga comprida que custava a mais barata deiz real, porque si não
ninguém aguentaria colhe café, se machucava tudo. Como alguns foram daqui
arnados com facas e revólver, quase deu confusão. Tinha muita gente que chegava
a noite e ficava olhando pra nóis, eu acho que eles eram uns capanga do fazendeiro.
Muitos tiveram que ficar por lá, porque ficaram devendo nos bar e não tinham
como pagar a passagem de volta e o dono mesmo tinha um mercadinho lá. Para
mim não sobrou nada de dinheiro, cheguei aqui sem nenhum tostão. Os que ficaram
lá 120 dias chegaram aqui com mais ou menos 500 real e nóis costumava trabáia
da 6:30 da manhã até as 6:00 hora da tarde para não ganha quase nada.

Retirado de: Pedro Luiz Schnorr. A CONCENTRAÇÃO DA PROPRIEDADE DA TERRA, O PROCESSO MIGRATÓRIO E O COTIDIANO DOS “BOÍAS-FRIAS” E EX-“BÓIAS-FRIAS” NO
MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DAS PALMEIRAS – PR.

Ps 1: marca sexta no post, mas já é sábado... (oh53)
Ps 2: Ler ao som de Elis (vídeo abaixo)
Por ironia, coloco hoje dia 01 de Maio, feriado do Dia do Trabalhador, este relato de José Pedro Bon, bóia-fria do Oeste do Paraná, levado pelo "gato" para trabalhar numa fazenda da café em Mina Gerais (todos os direitos trabalhistas e humanos são desrespeitados e vemos a "escravidão moderna" se formando nas dívidas inexistente na qual o trabalhador, além de não receber, fica devendo ao fazendeiro):

Fui para Minas Gerais, pertinho de Araquari colhe café por causa da crise aqui em
São José, tá dficil, mantê a casa porque tá difícil. Fui para Minas por intermédio de
um homem chamado Celso. Esse homem ganhou muito dinheiro contratando nóis
pra trabalha lá. Fomo até lá por intermédio da Prefeitura. O prefeito pagou a
viagem. Eu não sei qual foi a intenção do prefeito pagar a nossa passagem de ida,
diz ele que pagou a passagem porque aqui em São José não tinha serviço, quis dar
uma mão para o pessoal a manter a família em casa. Quem levou colchão levou,
quem não levou dormia em cima de um cobertorzinho, pois ficamo olojados em
baraco em média sete pessoa cada quarto. Nóis era pra receber a cada final de meis.
Eu tirava em média uns seis, sete saquinho (40 kg) por dia. Nóis pagava trêis real
por dia de bóia: café, armoço e janta. Eu fiquei só 30 dias lá coliendo café, porque
nóis tratemo um preço aqui e quando chegamo lá o preço era outro. Ficou
combinado que do café pequeno seria pago trêis real o saquinho e o grande quatro
real. No café grande é mais dficil colhe, pois nóis tinha que subir com uma escada,
pois o pé de café chegava a ter quatro metros de altura. Quando chegamo lá ele
pagou um e cinqüenta pelo café pequeno e três o café grande. No final do meis deu
muita confusão porque o pessoal ficou discutindo com o valor do preço do café.
Eles não queriam pagar os dia que nóis trabalhemo, por que nóis queria vir pra
casa, e descontando a bóia e o pessoal foi muito sem roupa e o homem vendia
roupa na casa, e muitos ficaram individados. Todo mundo teve que compra
camiseta de manga comprida que custava a mais barata deiz real, porque si não
ninguém aguentaria colhe café, se machucava tudo. Como alguns foram daqui
arnados com facas e revólver, quase deu confusão. Tinha muita gente que chegava
a noite e ficava olhando pra nóis, eu acho que eles eram uns capanga do fazendeiro.
Muitos tiveram que ficar por lá, porque ficaram devendo nos bar e não tinham
como pagar a passagem de volta e o dono mesmo tinha um mercadinho lá. Para
mim não sobrou nada de dinheiro, cheguei aqui sem nenhum tostão. Os que ficaram
lá 120 dias chegaram aqui com mais ou menos 500 real e nóis costumava trabáia
da 6:30 da manhã até as 6:00 hora da tarde para não ganha quase nada.

Retirado de: Pedro Luiz Schnorr. A CONCENTRAÇÃO DA PROPRIEDADE DA TERRA, O PROCESSO MIGRATÓRIO E O COTIDIANO DOS “BOÍAS-FRIAS” E EX-“BÓIAS-FRIAS” NO
MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DAS PALMEIRAS – PR.