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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Violência contra a mulher e violências múltiplas...

Com certeza qualquer pessoa que não seja um ermitão, querendo ou não, está sabendo do caso Elisa. É impossível não saber já que os meios de comunicação falam apenas disso, noite e dia. É a "bola da vez", sem querer usar de sarcasmo, já que o crime envolve, como todos também sabem, um famoso goleiro.
O caso é visivelmente mais um revoltante caso de violência contra a mulher. Mais uma vez me revolto e venho falar desse assunto, que se dependesse do meu desejo, não falaria mais, mas é impossível, porque essa violência permeia nossa sociedade e é inaceitável. Enquanto mulher, enquanto ser humano, não posso não me afetar com este caso.
Contudo, o que mais me revolta é a maneira como a mídia está tratando o caso. O caso Elisa torna-se banal, a violência contra a mulher é raramente mencionada; o que parece importar neste caso é que o assassino seja uma pessoa famosa, goleiro de um dos principais times do país; as pessoas estão mais preocupadas em refletir em como o rapaz pode ter feito isso, em como ele estragou sua vida, no fato de ele ter perdido os patrocínios, em como isso afeta o Flamengo; querem saber de tudo, menos refletir sobre o real problema: a extrema violência contra a mulher que envolve o caso.
O que a mídia faz é apenas aumentar a violência do caso. Ao invés de trazer alguém para debater a violência na sociedade, traz um comentarista de futebol para discutir o que isso afeta a vida do goleiro; ao invés de tratar com um mínimo de bom senso, reflexão, trata o caso de uma forma sensacionalista, relatando a crueldade com todos os detalhes sórdidos. E a violência aumenta porque a família da moça fica exposta, sendo violentada em seus direitos; o adolescente envolvido no caso sofre dupla violência: em primeiro lugar, por ter sido obrigado a presenciar cenas de horror, e agora, pela mídia estar relembrando detalhadamente estas cenas, que ele viu, a cada minutos. Ou seja, além da Violência contra a mulher, há também neste caso explicitamente a Violência contra a Criança e Adolescente, praticada tanto pelos assassinos quanto pela mídia. e isto também, em nenhum momento é questionado.
E assim, a violência contra a mulher e as diversas formas de violência, ao invés de ser combatida e debatida, é apenas propagada e mascarada.

5 comentários:

Iggy disse...

Quem ler isso não vai mais me perguntar porque eu não assisto televisão.

Que bom que tu consegue assistir televisão sem deixar ela controlar a tua opinião, minha neguinha.

Iggy disse...

Hoje foi um desses malditos dias que eu fui obrigado a ficar sentado na frente de uma televisão. E a manchete do noticiário era "detalhes brutais do assassinato blablabla...".

Já não foi noticiado isso uma vez? É o povo que demanda mais detalhes irrelevantes ou é a mídia que empurra isso para o povo? Ou é um ciclo de imbecilidade?

Leti Abreu disse...

Eu acho que a coisa é meio cíclica... não sei bem se o o ser humano tem uma inclinação biológica ou cultural para a brutalidade e a violência e se isto é aproveitado pelos meios de comunicação para aumentar o ibope ou se, pelo contrário, os meios de comunicação impõem este gosto macabro. De qualquer forma, acaba criando realmente um ciclo difícil de ser rompido; é preciso olhar para isto, no caso as notícias da TV, porque senão, não há como refletir criticamente sobre a forma como as notícias são divulgadas, e se a gente não faz isso, não reflete, nunca consiguiremos romper com o ciclo.

Iggy disse...

http://agenciabrasil.ebc.com.br/web/ebc-agencia-brasil/enviorss/-/journal_content/56/19523/996781

Leti Abreu disse...

Interessante... enfim, não fala mais do que as pessoas que pensam sobre a questão já sabem, mas é isso aí mesmo... só não acham que as pessoas sobre (população em geral, povo) pensem sobre a questão, como diz a entrevistada, quando acontece com alguém famoso, porque, como eu disse no meu texto, a mídia que comunica o fato não proporciona, não incita a reflexão sobre a questão, dando ênfase em outros fatos não relevantes...