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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Amor...

Escrevi este texto e trabalhei hoje na aula do Terceiro Ano (EM). A discussão foi muito interessante. O texto foi escrito as pressas e por isso, está sem bibliografia, mas enfim, Giddens, Baumann, etc, foram relidos.

Amor, sexo, paixão...

De onde vem o amor? Como surgiu? Em variadas idades, essa é uma pergunta que em algum momento surge na vida de cada um. Há inúmeros estudos sobre este sentimento humano tão avassalador, controverso, angustiante. Algum tipo de amor é certo que existe desde pelo menos o processo de humanização do homem, mesmo que não houvesse uma definição exata deste sentimento. Um amor a deus ou aos deuses, amor fraterno entre aqueles que estavam vivendo no grupo. Mas o amor, romântico, relação amorosa entre dois seres, de sexo diferente ou igual, quando surgiu? A partir de agora nos deteremos neste sentimento, de amor romântico, tão naturalizado na nossa sociedade contemporânea.
Há muitas teorias sobre o surgimento desse sentimento. Alguns dizem que existe há mais de mil anos, que desde a invenção da escrita, há papiros egípcios testemunhando alguma espécie de romantismo. Outros o associam a algo surgido mais recente, entre fins do século XVI e início de XVII, associado a obra de W. Shakespeare, sendo "Romeu e Julieta" os primeiros protagonistas desse sentimento idealizado e até aquele momento, impossível.
Milhares de anos ou centenas, não há ao certo como saber, mas pode-se afirmar que nas civilizações conhecidas antes do século XIX todos os casamentos, pelo menos aqueles a que foi possível estudar, eram realizados visando interesses dos mais diversos, mas principalmente financeiros. Não se questionava se havia o amor romântico entre o casal; o casamento era escolhido e programado pela família.
Na sociedade Ocidental (Europa e suas influências), na segunda metade do século XIX a atenção, nas classes burguesas passa a se voltar para os valores individuais, sendo que o ser humano (apenas os homens, importante ressaltar) passa a ser valorizado na sua individualidade, tendo agora mais possibilidade de fazer suas próprias escolhas. A escolha do par amoroso passa a ter alguma liberdade, porém ainda bastante limitada a escolha de pares entre a mesma classe social. A maioria das escolhas era protagonizada pelos homens, sendo que as mulheres, na sua condição de ser romântico, casto e idealizado, cabia ser conquistada e corresponder de forma carinhosa ao seu parceiro. Ou seja, o homem, tanto na conquista quanto na sexualidade assumia o papel ativo, enquanto a mulher era condicionada a passividade. Sabe-se que casamentos onde as famílias escolhiam os pares aconteceram até princípios do século XX, mas como já foi dito, a partir do século XIX, na maioria dos casos havia maior liberdade para o desenvolvimento do amor romântico, agora já não mais proibido, como nos séculos de Romeu e Julieta. Havia sempre uma grande vigília masculina sobre a sexualidade feminina: nos primeiros anos de sua juventude, era realizada pelo pai e irmãos, que a deviam mante-la virgem; após o casamento, era feita pelo marido, que devia assegurar a sua fidelidade, sendo que em muitos casos era permitido punir com a morte a esposa infiel. No Brasil essa lei valeu ainda nas primeiras décadas do século XX, sendo conhecida como "defesa da honra". O adultério masculino sempre foi socialmente aceito.
A mulher passa a ter um papel mais ativo nas suas escolhas amorosas e sexuais principalmente a partir da década de 1960. É nesta década que eclodem a maioria dos movimentos feministas (muitas manifestações de mulheres tentando sua independência e algumas poucas conquistas já haviam sido feitas ao longo dos séculos, mas esta década simboliza o auge da luta feminina). Neste período, a invenção da pílula anticoncepcional foi um símbolo de luta pela liberdade e independência sexual. Com ela, a mulher podia controlar sua fecundidade, fugindo a vigília masculina. Muitos acontecimentos de rebeldia e mudança ocorriam ao mesmo tempo em todo o Ocidente, mas eles serão mais detalhados no estudo do tema "contracultura".
Hoje em dia, o amor romântico não é mais questionado e sim, aceito como algo da "natureza humana". As escolhas sexuais poucas vezes são limitadas, principalmente entre os jovens (ainda que a mulher ainda sofra muito com a violência contra o seu gênero em nome desta liberdade). Apaixonar-se e desapaixonar-se pode ocorrer várias vezes ao longo da vida, ou muitas vezes num mesmo ano; ter um parceiro sexual para a vida inteira, ou quantos se achar necessário para a busca do prazer e felicidade, tornou-se unicamente uma escolha pessoal, pela qual apenas o indivíduo pode decidir. Os valores e escolhas individuais estão cada vez mais sendo respeitados.
A sexualidade, que até pouco tempo era tratada com todo o pudor, vigília e tabus, hoje em dia ganha espaço amplo na vida pública, sendo debatida nas escolas, políticas públicas de saúde, medicina, nos meios de comunicação e é algo tratado (em algumas sociedades ao menos) com maior esclarecimento e menos vergonha, sendo estudado desde a infância. Em muitos casos, a política "falar é melhor que esconder", é tida como uma máxima de prevenção de vários riscos ao qual a sociedade está exposta, como as DST’s, gravidez precoce, etc. Os adolescentes estão começando sua sexualidade cada vez mais cedo e o número de parceiros é cada vez maior, então não tratar do assunto é negar uma realidade escancarada.
Contudo, nossa sociedade das crises (de identidade, de respostas, etc) acaba esvaziando também este sentimento do amor. O sexo, em alguns casos, passa a ser vazio de sentido, tornando-se uma experiência banal, um hábito compulsivo, uma busca por algo que não se sabe o que é. Há muitas pessoas que se consideram viciadas em sexo, fazem tratamentos psiquiátricos para isso e participam de grupos de apoio, que funcionam nos mesmo moldes dos Alcoólicos Anônimos. Há pessoas que não vêem sentido em suas relações sexuais, mas vivem numa busca incessante por parceiros, sentindo aí um poder de domínio e um sentimento de vazio após cada relação, não conseguindo, devido a sua compulsão, criar nenhum tipo de laço.
A sociedade humana ocidental está abalada por esta falta de laços; os vínculos são cada vez mais fluidos, rápidos; até as relações amorosas muitas vezes se resumem a encontros breves sem nenhuma expectativa de continuidade. Mas isso não é somente um traço negativo. Naqueles que não caem nas relações vazias, no vício e na compulsão, a liberdade de escolhas e a não-necessidade de laços para a realização sexual pode ter algumas vantagens. O indivíduo, como já dito, tem maior liberdade para ir atrás da própria felicidade. O "felizes para sempre" ou "até que a morte os separe" torna-se para muitos algo a ser buscado, mas não mais uma obrigação. Não há nada que prenda alguém a um único parceiro para o resto da vida. A maioria dos relacionamentos começam ao acaso, sem compromissos e expectativas. As pessoas mantém-se juntas enquanto a satisfação, a felicidade e o prazer for possível para ambos; se for "para sempre" que bom; se não der certo, todos tem a chance de partir para um próximo relacionamento. O amor e a satisfação andam juntos e são uma busca constante até que se possa atingir a sua plenitude.
E o "mercado amoroso" é extremamente amplo. A busca de parceiros pode acontecer de várias formas, na vida real ou virtual. O número crescente de agências de encontros, de sites de relacionamentos mostra quão ampla é essa escolha. Os sites de relacionamentos podem apenas alimentar esta busca incessante e viciosa de conquistas vazias, mas também podem propiciar satisfações tão amplamente buscadas. Há muitas narrativas de relacionamentos duradouros que iniciaram pela internet.
Concluindo: amor, sexo, paixão é uma busca individual, iniciada cada vez mais cedo, mas que se estende ao longo da vida. É permeada de sentidos e escolhas individuais, mas que tem sempre como centro a realização pessoal, em conjunto com a realização do parceiro. Este é pelo menos, o ideal da sociedade contemporânea.

2 comentários:

Boris disse...

Muito bom o texto, só faltou as referências, se possível coloca elas q fica jóinha, eu reconheci algumas por já conhecer algumas obras dos acima citados hehehe.
Mas enfm, falar de amor, e escrever sobre o amor é a maior dificuldade de poetas e romancistas, o gilberto velho se não me engano fala sobre tb, acho q naquela trabalho sobre as pessoas q se encontravam por causa do programa de rádio. Um sentimento subjetivo incontrolável.

Adorei o texto e vou recomendar para alguns amigos meus q querem discutir ele. Por isso, coloque ele bonitinho com a bibliografia e bota teu nomezinho tb né meu anjo.
Beijão

Leti Abreu disse...

Sim, foi escrito as pressas, não deu muito pra colocar as referências... e ando meio sem tempo pra isso, mas aí, o principal é Giddens e Baumann. Quando sobrar um tempinho, coloco certinho. Sobre o nome, coloquei lá no início que foi eu quem escrevi. Obrigada por indicar a leitura. Beijo