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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Filosofia e Tecnologia

Os filósofos que me perdoem, não pretendo passar por uma... Mas escrevi o texto abaixo, baseado em algumas coisas que li a respeito, para trabalhar o tema da tecnologia nas aulas de filosofia:

Sobre o uso das tecnologias, a responsabilidade e a criatividade

Entendendo por tecnologia todos os meios e instrumentos que a humanidade desenvolve para facilitar e dinamizar a vida de sua sociedade, podemos afirmar que as culturas humanas sempre desenvolveram tecnologias nos seus processos evolutivos singulares.
Na nossa sociedade ocidental, esse desenvolvimento tecnológico foi ganhando cada vez mais um papel central na vida dos indivíduos, até chegarmos ao ponto atual, no qual, para a maioria de nós, é impossível imaginarmos viver sem as tecnologias. Quem de nós, ocidental, classe média, com idade de 10 a 50 anos, de vida urbana, consegue ficar uma semana, um mês sem celular, computador, microondas, televisão e tantos outros artefatos tecnológicos que orientam nossa vida?
Afirmar que isso nem sempre foi assim é uma obviedade, e entender como chegamos a este ponto é uma tarefa por demais complexa para o presente momento. A criação de novas necessidades, o advento da sociedade do consumo, o papel da mídia, tudo são campos a ser amplamente e longamente explorados para dar uma luz nesta questão. Mas o debate aqui se dará em torno de duas questões: diante de tantas coisas prontas, como é possível ser criativo no uso das tecnologias? E como usá-las de forma responsável, consciente e crítica?

A tecnologia e a criatividade

As inovações estão aí; isto é fato. Cada dia surgem mais e mais novidades; aquilo que foi criado no ontem, hoje já é obsoleto. Mais do que nunca o "Tudo muda, tudo flui" de Heráclito se faz presente, realidade incontestável nos avanços tecnológicos. As tecnologias mudam e nossos hábitos mudam com elas; aceitamos, consumimos e criamos novas formas de viver; os seres humanos criam as tecnologias e as tecnologias modificam os seres humanos. É difícil alguém que discorde disso. E na maioria das vezes, não vemos motivo para não aceitá-las, já que facilitam muito nossos meios de vida.
Contudo, a grande maioria de nós, desconhece as formas como são criadas estas tecnologias, os processos técnicos, principalmente; a maioria se utiliza delas da mesma forma que milhões de outros a fazem, reproduzindo usos e costumes, sem nada criar, sem questionar. Fussler, filósofo tcheco que viveu no Brasil, já afirmava (sobre a fotografia, mas pode ser usada em todas as tecnologias) que para fazermos um uso criativo é necessário conhecermos seu funcionamento, dominarmos sua linguagem, seus procedimentos; só aí estaremos inovando, criando novos usos, sendo mais que meros reprodutores de usos convencionados.
Não que todos devamos ser tecnólogos em informação, especialistas em tecnologias e mídias digitais; o importante é que aprendamos a entender todo o processo, e não aceitar calados o que nos impõem e usar da forma como foi dito por outros e deu. Temos que ir além do que é imposto, temos que entender os processos e linguagens e dar a eles algo além do imposto; só aí é que podemos potencializar nossa energia criativa em toda a tecnologia que nos é imposta. E isso nos leva ao segundo ponto.

Uso crítico e responsável

A tecnologia vem oferecer-se como facilitadora da vida humana, solução para problemas sociais e pessoais, é quase como um novo Messias ou um Oráculo, que tudo sabe e tem todas as respostas. Mas todos nós sabemos que isso não é bem assim... Apesar das boas intenções, quantas foram as tecnologias que fizeram com que se chegassem ao caos que estamos hoje: alta produção de lixo, poluição, armas de destruição em massa, novos vícios (como o vício pela internet), não há como negar ou esconder que boa parte desses problemas são gerados pelo desenvolvimento tecnológico e pelo uso que o ser humano fez dele.
A ganância desmedida, a falta de uso crítico e responsável, a falta de políticas eficazes e reguladoras fez com que chegássemos hoje a um estado em que aquilo que nos facilita a vida, também nos ameaça. Como reverter ou amenizar esta situação?
Em primeiro lugar, voltando ao que foi dito antes, não aceitar o que é imposto como única resposta possível parece ser o primeiro passo. É preciso que aprendamos a questionar, a ter consciência do que usamos, de como usamos e pra que usamos. Esta capacidade crítica depende de muitos meios para se desenvolver. Meios de comunicação comprometidos e responsáveis; políticas públicas que facilitem não só o acesso às tecnologias, mas que ensinem a questioná-las, conhecê-las e usá-las de forma crítica e produtiva.
A tecnologia pode ser usada para diversos fins, sem que com isso prejudique o ambiente a sua volta. Um desses fins é a diversão, tão comum entre os dias. Este meio parece inofensivo, mas se não for questionado e usado de forma responsável, pode se tornar uma das maiores ameaças a própria integridade dos indivíduos. Ou aumento de crimes pela internet e de vícios desenvolvidos por este meio é alarmante e bastante grave. Atinge diversas faixas etárias, mas de uma forma bastante peculiar, crianças e adolescentes. Estes, com maior disponibilidade de tempo livre, ou seja, de horas de acesso, muitas vezes acabam condicionando suas diversões, interatividades e relações pessoais ao uso da internet, uso este, muitas vezes, de forma nada crítico e sem arcar com nenhum tipo de responsabilidade.
Cabe a sociedade, pais, escolas e outros meios ensinar como a tecnologia pode ser usada ao favor de todos. Estes jovens, sozinhos, por mais que tenham a ensinar à sociedade, muitas vezes não encontram espaço para diálogo e orientação. Eles se tornam vítima duas vezes: por um lado, dos próprios meios tecnológicos, que assim como podem informar podem desinformar, alienar e distorcer a realidade, e por outro lado, vítimas de uma sociedade já conformada que não possibilita que a juventude tenha espaço neste diálogo sobre uso responsável e crítico das tecnologias.
A diversão é um hábito saudável, contudo, como qualquer outro hábito, deve ser medida; deve ser mais um meio de desenvolvimento e não uma vivência vazia de significados. Todas as ações humanas devem ser reflexivas; é preciso pensar para agir, é preciso criticar para construir, é preciso se responsabilizar para construir um mundo onde a tecnologia possa ser usada somente a nosso favor, a favor de todos, e não como meio de destruição e submissão.

7 comentários:

Boris disse...

Bah este tema é ótimo, a melhor cadeira q fiz no mestrado em POA foi sociologia da inovação com o professor Renato Oliveira, bah o cara é fera. Liamos os clássicos para uns mais atuais, Kant, Hegel, Descartes, Collins e outros q não lembro agora de cabeça.
Uma temática q estava sempre presente é o distanciamento da universidade das necessidades da sociedade atualmente, as inovações sempre vieram com esta característica de "auxiliar" ou resolver problemas do cotidiano. Mas com a universidade distante da sociedade isso não ocorre mais. Na minha opinião todos cursos deveriam ter no mínimo 3 projetos de extensão, para evitar um pouco isso.
Se quiser me da um toque pelo orkutico ou mail q te passo alguns materiais virtuais q tenho aqui, desde livros, artigos, capitulos há uns trabalhos nesta área.
Beijão e adorei o texto e a nova foto da abertura.

Leti Abreu disse...

Sim, querido.. tu que trabalha bem com o tema, inclusive com a questão de jogos, podia mesmo me passar alguma coisa por e-mail (o mesmo de sempre, ehehe) pra eu trabalhar com a garotada...
beijos

Boris disse...

sim, o mail do gmail.

Boris disse...

Cade os novos post????

Leti Abreu disse...

Bah, agora não tá dando pra fazer todo dia; pouco tempo... e ntem, meu computador deu algum problema, não consigo mais nem ligar ele... vou ver se acho alguma coisa interessante aqui e coloco hoje...
beijo

Iggy disse...

Parece o meu artigo falando do mau uso da tecnologia

Leti Abreu disse...

É, tem haver... mas não sou tão radical; valorizo as redes sociais e a descontração.