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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Novas Bandeiras?

"Lembro um olhar limpo, como recém-amanhecido: essa maneira de olhar dos homens que acreditam". Eduardo Galeano

Os anos 60 e 70, até meados dos anos 80, vimos aflorar e empunhar bandeiras milhares de movimentos sociais querendo mudar o mundo, a forma de pensar, balançar as estruturas, e, de forma bastante particular, no Brasil, no combate a ditadura e, acompanhando o movimento mundial, na luta pelas conquistas de direitos das mulheres e combate a qualquer discriminação. Com a abertura democrática e com as novas decepções e crise da segunda metade dos anos 80 e dos anos 90, vemos porém, no Brasil, algo que se assemelha a uma estagnação de muitos movimentos sociais; as pessoas parecem desacreditadas, perdendo as causas pelo que lutar.
Porém, entra um novo milênio e o que estamos vendo? Muitos dizem que continuamos estagnados, cada vez mais ignorantes e mais egoístas. Será? Não acredito nessa visão tão pessimista. Há, como sempre houve, muitas pessoas que não se engajam, que não se esclarecem, porém, vemos todos os dias manifestações daqueles que ainda acreditam que "Um novo mundo é possível", utilizando o lema dos Fóruns Sociais Mundiais (e como estes ficam repletos de gente é a prova disso). Temos novas bandeiras? Algumas talvez, mas em geral, reinventamos movimentos da década de 60 e 70, com novas caras. Algumas premissas são novas, afinal, são tempos novos, mas ainda queremos um mundo mais verde e natural, com menos poluição, combatemos o desmatamento, não queremos alimentos sintéticos (transgênicos); queremos mais igualdade (com o reconhecimento e respeito às diferenças); queremos justiça e que os "grandes" também sejam punidos pelos seus crimes e roubos; queremos paz e que as armas sejam novamente substituídas por flores. Enfim, como antes, os movimentos ecologistas, feministas, negros, naturalistas, indígenas, continuam a se manifestar e talvez, em alguns casos, se manifestem ainda mais, pelo menos no Brasil, graças a abertura democrática. Vejo uma mudança, contudo na forma de engajamento. As pessoas não empunham mais bandeiras, todos os dias; elas não se filiam ou se engajam a uma única causa; são pessoas múltiplas, que apóiam múltiplas causas; que mesmo não estando numa reunião semanal ou todos os dias em um comitê, participam de manifestações, abaixo-assinado, se utilizam de novos meios para se informar e se manifestar, como é o caso das diversas páginas de internet. Enfim, vejo ainda alguma esperança e creio que um novo mundo é possível. Não somos tão apáticos como querem crer alguns pessimistas. Eles sim, os pessimistas, são apáticos e não querem ver os que estão lutando (mesmo que estes sejam minoria; será?). É necessário reconhecer essas novas formas de acreditar, talvez, menos escancarada, mas presente e válida, como todo e qualquer olhar limpo e recém-amanhecido.
(ilustração: imagens de Fórum Social Mundial, 2005, Porto Alegre-RS-BR)

2 comentários:

Iggy disse...

Quem quer as coisas feitas, quem quer ver as mudanças, acaba encontrando recursos e pessoas para ajudar a atingir suas metas. Existe um termo que alguns usam para descrever os não estáticos: "sociedade organizada".

Leti Abreu disse...

ou movimento social